“Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.” Esta frase, entre muitas outras, foi escrita por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna em jornal de Cleveland, Ohio, EUA.

Não a interpreto como sendo um lugar comum. Eis que, por alguma razão, temos uma forte tendência para identificar a grama do vizinho como sendo sempre mais verde que a nossa. Talvez seja assim pelo fato de as pessoas se escudarem atrás de armaduras ou tentarem se mostrar mais fortes do que na realidade são. Não sendo psicólogo – longe disso -, mas carregando alguma bagagem em minha viagem pela jornada aprendi que as aparências enganam, o que não é novidade para ninguém.

Aquela pontinha de inveja surge vez por outra na vida da gente porque ele, ela ou eles têm tudo – e você não, mas gostaria de ter. E não raro, acompanhada por lamentações pela falta de sorte e até mesmo sentimento de injustiça. Mas, como dizem, “todo mundo vê as pingas que eles tomam, mas ninguém vê os tombos que eles levam”.

São sobejamente conhecidos os casos de pessoas bem sucedidas profissional, econômica e financeiramente, que fazem uso do álcool e drogas para se manterem na crista da onda, pagando um alto preço pelo “sucesso”; você certamente deve conhecer algumas. Inúmeros atores e atrizes, executivos de alto nível, políticos, esportistas procuram naquelas muletas a forma de se sustentarem em momentos de fraqueza. Alguns, como sabemos,  se perdem em viagens sem volta acabando com suas carreiras, vida familiar, auto-estima. Como nos ensina a contabilidade, não existe crédito sem débito senão a conta não fecha. Em nossa existência, considero o enunciado verdadeiro.

O trabalho árduo de muitos e o esforço desmedido para atingir seus objetivos nem sempre são reconhecidos por aqueles que mais se lamuriam e se julgam abandonados pelos deuses. Verdade que uns tem caminho mais pedregoso que outros, mas verdade também que ninguém vive em céu de brigadeiro por toda a vida.

Não são poucos os que optam pela ostentação – sem qualquer embasamento -, um dos símbolos da vaidade humana, inimiga da modéstia e da discrição. Ostentação que pode se assemelhar a um saco vazio, não se sustentando em pé por ausência de estofo de qualidade.

Você mesmo pode ser alvo de “inveja” por um milhão de motivos; motivos nem todos verdadeiros, com toda a certeza. Não se surpreenda, contudo, se você for referência para muitos e nem desconfiar disso. Podes crer: cada um é único, mas seu universo infinito!