Com a divulgação das suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes pela revista Veja na semana passada, quatro membros da cúpula foram afastados por determinação da presidente Dilma.

O ex-chefe de gabinete do ex-ministro Alfredo Nascimento, um dos afastados, está construindo uma mansão em Brasília com 1.300 m2 de área. Seu custo, R$ 2,1 milhões.

O jornal “O Globo” destaca, na mesma semana, que o patrimônio do filho do agora ex-ministro teria crescido 86.500% em apenas cinco anos. Com tamanho talento, o gênio financeiro só pode ser  pupilo do ex-ministro-chefe da Casa Civil – mestre em alavancagem patrimonial – e, ainda quem sabe, do ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, experiente multiplicador de rebanhos, em tempo recorde, no passado menos recente. Nem a sorte daquele ex-deputado federal, João Alves, que com a “ajuda divina” ganhou 200 vezes na loteria anos atrás… poderia suplantá-lo.

Especialistas questionam mega fusões de grandes empresas privadas com aporte de capital do governo. Nada ilegal aqui, apenas “nebuloso” como salienta a revista britânica “The Economist”.

Por décadas, convivemos com escândalos envolvendo bancos, anões do orçamento, mensalões, cuecões, meiões, consultorias e alegorias sombrias. Se pegos com a boca na botija, seus atores vão embora para casa, ricos, sem julgamento ou condenação. Permanecem tranqüilos e impunes em seus redutos e até mesmo dentro do Congresso Nacional, abrigados pelo corporativismo.

Lista da Wikipédia (enciclopédia livre) revela números dos escândalos por aqui, nos últimos 40 anos. Pasme! Nos anos 70: 23 casos. Anos 80: 18. Anos 90: 96. Década de 2000: 69 casos, não incluídos os mais recentes.

Não surpreende, pois, que o Brasil tenha se tornado o país da impunidade, denegrindo sua justiça, ainda que a culpa invariavelmente recaia sobre nossas leis, arcaicas, nem sempre interpretadas com equanimidade. Agregue-se ao quadro a parca moralidade política sobrevivente desse caos de integridade e honestidade que permanece omissa, temente da perda de seus privilégios.

Este país sofre de grave carência educacional desde o berço, onde princípios, valores, civilidade, ética, honradez, são atributos negligenciados na formação de parcela de seus cidadãos. Educados pela televisão comprometida assistem, sem qualquer surpresa, a desmandos de toda ordem e magnitude, a exemplo das tragédias expostas pelos meios de comunicação.

Bradamos aos quatro ventos, orgulhosamente, nossa condição de país emergente, engalanado por proezas econômicas. E não nos envergonhamos de fazer imergir para debaixo do tapete a derrocada do caráter e incentivo à politicagem em uma nação que, desde há muito, não pode ser encarada com seriedade e respeito.