Política é uma área complicada, cheia de meandros, obscuridade, falsas alianças e autêntico comprometimento com as oportunidades da ocasião.

Mesmo conhecendo todos esses atributos da dita cuja, devo confessar que nosso governo federal tem me surpreendido por estar tomando atitudes há muito não vistas. Refiro-me, no caso particular, às medidas que a “presidenta” vem tomando em relação a faxina no Ministério dos Transportes.

Politicamente falando, a coragem demonstrada por  Dilma revela uma faceta que poucos poderiam imaginar existente. Por duas razões: primeira, pelo descolamento de Lula, que ao longo de seus oito anos de governo manteve naquele ministério uma espécie de “Panzer Division” (divisão de tanques alemães, por algum tempo imbatível no deserto da África durante a segunda guerra mundial), obviamente desconhecendo o poder de fogo de seus subordinados e segunda, correr corajosamente o risco político de ver a base aliada do governo (aliada pero no mucho, como já constatamos em votações neste ano) se fragmentar gerando dificuldades para aprovação, no congresso, de futuros projetos de interesse do executivo.

A situação pode até indicar que se trate apenas de fogo de palha. Não importa. O que me apraz é assistir a um filme virgem, de lançamento inédito, na política brasileira. Como não tenho vínculos partidários, até porque neles não acredito, sinto-me à vontade para jubilar-me com o momento histórico que vivemos.

É crucial dar-se crédito a atitudes probas e não apenas esbravejar sobre os desmandos esparramados pelas bandas planaltinas. Não compactuo com muitas das diretrizes do governo assentado em Brasília durante os últimos anos. Por isso, meu reconhecimento e aplausos, de pé, pela demonstração de força e disposição de Dilma frente ao descalabro – que certamente não é único, apenas a ponta do iceberg – enfrentado sem qualquer relutância.

Sobrevivência de governos é fruto de alianças com partidos e congressistas, haja vista que a maioria dos constituintes lá está por interesses pessoais e oportunistas, mas sempre prestes a aderir e colaborar  desde que… recebam seu quinhão. E como sempre, no frigir dos ovos, quem paga a conta é sempre o cidadão.

Quem sabe não estejamos vivenciando um momento épico, histórico. Fico na expectativa de que este primeiro capítulo tenha como epílogo a redenção da lisura, honradez e probidade na política brasileira.

“Quem quer colher rosas deve suportar os espinhos.” (…)