Há décadas o segundo domingo do mês de agosto, aqui no Brasil, é impulsionado por um ávido comércio e muito celebrado por filhos que prestam homenagens àqueles que são a razão de sua existência.

Confesso que sempre estive meio na contramão dessa história sendo também, confessadamente, um tanto avesso ao consumismo. O Dia em questão, como outros tantos, é apenas mais uma data mercantilista criada para incrementar as vendas do comércio. Como o é o das Mães, também.

Pais e mães são pessoas que deveriam ser reverenciadas e homenageadas todos os dias. São pessoas que não foram escolhidas pelos filhos, mas que, por outro lado, os acolheram procurando lhes dar o que muitas vezes não tiveram. São pessoas que se sacrificaram desde o primeiro momento da notícia “estou grávida” até aquele de vê-los voando com suas próprias asas muitos anos depois. São pessoas incompreendidas em determinadas fases da vida, vitimadas pelo conflito de gerações. São, ainda, pessoas que, invariavelmente, depois de partirem, deixam também um espaço vazio que não pode ser mais preenchido, apenas lamentado pelo tempo perdido.

Ninguém aprende a ser pai ou mãe. Não existe escola que lhes conceda um diploma e o aprendizado, sofrido pela inexperiência e desconhecimento, não é um mar de rosas. Filhos não se dão conta disso, a não ser quando – e se – lhes chega a vez.

Somos seres imperfeitos que melhor aprendem e compreendem quase sempre depois. Depois de que?  Como no poema do Chico Buarque: “o tempo passou na janela e só Carolina não viu”.

Não há presente comprado em shopping ou loja que possa substituir aquele do amor filial, inconteste, demonstrado “todos os dias”. No meu caso, não há mais como presentear meu pai – lamentavelmente – da forma que como pai, sou hoje presenteado: com carinho e compreensão, apesar de alguns percalços e transtornos ao longo da trilha, mas com muitas, muitas mais alegrias.

Para mim, Dia dos Pais é hoje, amanhã, depois e depois.

Minha condição do filho que fui um dia, não me deixa esquecer. Se o seu pai ainda estiver por aqui, repense o seu papel nesta história. O presente, quase uma obrigação social, poderá ser guardado como lembrança querida, usado ou consumido. Não mais.

Mas quem sabe, durante o decorrer do ano e várias vezes sem qualquer razão, você possa vir a presenteá-lo apenas pela lembrança do filho que o ama, sem qualquer conotação comercial.

Demonstração de sentimento não tem preço: vem do coração e não do bolso. Só custa um gesto!