A violência grassa em todo o mundo sem que se consiga impor qualquer controle sobre os desajustes sem fim. A globalização foi, lentamente, alterando hábitos, costumes e comportamentos gerando novas culturas como em um processo de miscigenação involuntária. O resultado tem sido a assimilação de pensamentos e exemplos, antes desconhecidos por tantos.

Com apenas 4.7 milhões de habitantes, classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver, a Noruega foi, a pouco tempo, vítima de brutal morticínio.

Os Estados Unidos, com elevado padrão de vida lastreado no consumo desenfreado, assiste sua economia debilitar: está sempre  presente no noticiário pelos inúmeros massacres conduzidos por atiradores que se suicidam a seguir.

Nós, por aqui, sofremos também, recentemente, atrocidade semelhante à de países desenvolvidos, como a tragédia em escola no Rio de Janeiro.

Mas a violência não é apenas física, do homem contra seu semelhante. Por sua ação, ou inação, a natureza vem sendo castigada e ofendida pelo descaso, falta de educação, incompetência e corrupção. Sem precedentes registrados pela história e demonstrando vigor incomum, os cataclismos estão se superando deixando populações inteiras, de diferentes nacionalidades, amargando o desespero de perdas humanas e materiais.

Difícil distinguir as duas formas de violência, causadas e sofridas por um mesmo ser, como em atos autofágicos. O superpovoamento, atrelado ao hiper-desenvolvimento tecnológico propulsor de idéias e mensagens, deixa pouco espaço de manobra para contenção desses desastres. A educação, prioritária na formação do homem é fundamental, mas insuficiente em si mesma como comprovado pela ação funesta no país nórdico. A repressão, medida inócua que não leva o ser humano a conhecer e reconsiderar a razão de seus atos, não encontra lugar na solução.

Sociedades são alicerçadas em estruturas econômicas, daí derivando todas as ações que norteiam nosso comportamento. De estímulo a sonhos de consumo, posse e poder, ao menosprezo pela qualidade de vida, os agentes econômicos são o carro chefe de nossa existência, levando-nos ao individualismo egoísta e tornando-nos indefesos perante nós mesmos.

Parece que perdemos o bom senso, incapacitados de discernir entre o que se pode comprar e o que não tem preço. As “gerações dominantes” (inclusive a minha) perderam a oportunidade de colocar um freio lá atrás deixando como legado o que aí está. A esperança, agora, recai sobre os ombros daquelas que ainda têm décadas pela frente para agir e reagir.

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RAdeATHAYDE