Cidadão é “pessoa no gozo de seus direitos políticos e civis; indivíduo que é membro de um Estado e tem perante este a mesma condição que a maioria do povo: dever de obediência às leis e ao governo e direito a proteção”.

Devo confessar que a definição me parece mais retórica que realista, pois, certamente, se não cometermos crimes de lesa-sociedade, daqueles perpetrados em Brasília e alhures contra o bolso de cidadãos indefesos, teremos garantida nossa condição de cidadão e direitos políticos preservados.

Imaginar-se que alguém tem, perante o Estado, a mesma condição que a maioria do povo soa utópico; vai que você seja incluído na minoria… E ainda, cumpre lembrar que você deve obediência às leis e ao governo e tem direito a proteção para ser qualificado como cidadão. Em um país onde os “cidadãos” são obrigados a morar enjaulados, impossibilitados de andar pelas ruas tranquilamente, a dirigir seus carros com vidros escurecidos e alguns blindados, o termo mal se aplica.

Somos todos, sem exceção, usurpados de nossos direitos mais elementares, pois leis não são obedecidas nem por membros graduados dos governos e estes, a exemplo de Themis –  deusa da Justiça – parecem usar a venda da conivência deixando-nos órfãos à procura de adoção. Ficamos abandonados à própria sorte, sem ter a quem recorrer, eis que nossas instituições “não dão a mínima” para proteger seus e meus direitos.

Pagantes de impostos – velados ou não – somos simplesmente ignorados pelas autoridades. Você vai ao supermercado comprar produtos industrializados, tenta ler o que está escrito nos rótulos, mas como se esqueceu de levar a lupa, passa batido e compra. Mais tarde, descobre ingredientes que não deveria ingerir e até mesmo que a validade está expirando. Contratos de seguros são inteligíveis apenas para advogados e redigidos com tamanho de fontes lidas apenas por linces. Nesse particular, bulas de remédios não ficam atrás. Ainda sobre medicamentos, você está desafiado a ler os “alertas” feitos após publicidade dos mesmos na TV sugerindo a procura um médico “caso os sintomas não desapareçam”. Sobre combustíveis adulterados, impossibilidade de ler os créditos após a exibição de programas e se surpreender com folhas do papel higiênico que possuem folhas duplas mais finas que as simples anteriores… dispenso comentários.

Para encerrar, você se lembra que seu ex-presidente pregava a redução dos poderes do Tribunal de Contas e mandava tocar obras sob suspeita comprovada? Pois é, não sobrou ninguém no Ministério dos Transportes. E tem mais por aí: Turismo, Agricultura, PAC…

Bom dia, cidadão!