O noticiário da semana foi dominado por documentários, entrevistas, reportagens contínuas, sobre o 11 de Setembro, data do décimo aniversário dos atentados terroristas nos Estados Unidos em 2001.

Se não me falha a memória, nossa imprensa, apenas de maneira um tanto concisa, deu alguma relevância sobre a situação de seca e fome em um país do leste da África, a República da Somália. Se suas aulas de geografia foram de qualidade, você ter aprendido que sua localização está no conhecido “Corno da África”. Se não foram, nada custa abrir o mapa e aprender um pouco mais.

O país, com cerca de 13 milhões de habitantes, possui IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) equivalente a 0,284, que o coloca como o 161º na tabela mundial. Números que também impressionam são a expectativa de vida, de apenas de 48.2 anos, e a mortalidade infantil de 116.3/mil nascimentos.

O assunto passou um tanto batido por aqui em meio às notícias consideradas mais importantes como futebol e suas musas, temas de novelas sempre em primeira mão, sofisticação da alta moda, divulgação dos melhores restaurantes e seus cardápios, além de outras tantas relevantes para o faturamento da publicidade e propaganda. Fome, seca, miséria quase absoluta, não dão Ibope e pouco vendem para os mais chegados ao lado glamouroso da vida.

A Organização das Nações Unidas decretou crise de fome em mais uma região do sul do país, assolada por uma seca catastrófica, e alertou que a situação ameaça expandir-se a mais regiões.

“Quatro milhões de pessoas estão em crise na Somália e 750 mil correm o risco de morrer nos próximos quatro meses se não houver uma resposta adequada. Dezenas de milhares de pessoas já morreram e mais da metade eram crianças”, relata o Jornal de Angola. A ONU estima que 12,4 milhões de pessoas residentes no Corno de África sofrem com a calamidade e precisam de ajuda humanitária. A Somália é o país mais afetado da região.

Segundo um relatório do Centro de Análise para Segurança Alimentar das Nações Unidas, os países do Corno de África dependem da comunidade internacional. E, segundo informam grupos humanitários 1,4 bilhão de dólares seriam necessários em caráter emergencial para minimizar a tragédia. Dificuldades e burocracia sem fim.

Enquanto isso… os EUA, que já gastaram na última década mais de US$ 1,1 trilhão com as invasões do Iraque e Afeganistão continuam explodindo até mesmo orçamentos. Silenciam sobre genocídios de países que não possuem petróleo e gás, mas sustentam os que têm.

Difícil silenciar!