Semana passada, em 22 de setembro, foi celebrado o Dia Mundial sem Carro em todas as cidades do planeta. Bem verdade que umas mais outras menos atenderam à convocação, mas ainda bem que pelo menos uma vez ao ano são muitos os que tentam conscientizar políticos, autoridades e pessoas a fazer uso do automóvel de forma consciente e responsável.

A divulgação foi relativamente ampla e seus resultados pouco alentadores para os mais atentos. A exemplo das campanhas contra o fumo, álcool e drogas, a eficácia das tentativas daqueles bem intencionados é sempre relativa. No caso do carro, o mais desejado depois da casa própria, além do conforto que propicia ao seu proprietário para se deslocar é ele, ainda, referência-símbolo de status.

Em nossa cidade nada vi ou ouvi sobre o assunto. Os jornais locais calaram,  o que significa que – presumo eu e salvo desinformação minha – o assunto não mereceu destaque nem atenção devida.

Cidades dotadas de transporte coletivo civilizado e vias de acesso compatíveis com a sua realidade são minoria dentro do contexto mundial. Refletem a cultura de  povos dotados de responsabilidade e conscientização por parte de governantes em relação aos seus cidadãos e, da parte destes, seu respeito pelo outro. São países aonde a bicicleta chega a ser, em alguns casos, maioria em relação aos automotores.

Se o automóvel reina absoluto,  seu impacto na qualidade de vida dos cidadãos causa transtornos crescentes via poluição, desrespeito às leis de trânsito, congestionamentos monstruosos, perda de horas preciosas, elevação do stress. E pior: por trás dos volantes muitos são os motoristas que se transformam em seres irreconhecíveis.

O município em que vivemos está a merecer atenção urgente das autoridades. O trânsito no centro está indisciplinado – sem fiscalização – com motos estacionando descontraidamente em vagas exclusivas para carros, inclusive as reservadas para idosos e deficientes. Motoristas dos carros continuam a desrespeitar as ditas vagas reservadas e a não respeitar pedestres que tentam atravessar nas faixas a eles dedicadas, visando sua segurança. Placas de PARE e rótulas começam a perder sua finalidade.

As bicicletas, que deveriam ter prioridade, juntamente com transeuntes, estão correndo crescente risco de acidentes. As poucas vias a elas destinadas, dada sua concepção errônea, vêm sendo utilizadas como calçadas por ausência destas.

Uma boa dose de educação e orientação, regada à civilidade,  pode tentar reverter nossa rica incultura. Está nas mãos de todos!