Se você tiver alguma pretensão, intenção ou propensão para viver impunemente durante um mínimo de quatro anos  candidate-se a uma vaga no Congresso Nacional. Precisará, naturalmente, de uma retaguarda de peso e generosa colaboração de empreiteiras, bancos e industriais para colocá-lo lá e depois, naturalmente também, dar sua contribuição retribuindo com gratidão aos apelos que lhe serão feitos.

Desfrutar de uma confortável poltrona no Palácio do Congresso em Brasília com direito a vinte e cinco assessores parlamentares, no mínimo, e um rosário de mordomias restrito a abençoados 594 membros (81 senadores e 513 deputados) não é para qualquer um.

Somos afrontados, legislatura após legislatura, por atitudes, comportamentos e posicionamentos das “vossas excelências” que fariam corar um monge. Divulgadas pela imprensa, salvo raras e honrosas exceções, as maracutaias são logo esquecidas, sobrepostas por outras do momento, enquanto nós, pobres mortais, somos obrigados a contribuir com exorbitantes impostos que permitem àqueles senhores e senhoras viverem na opulência.

Semana passada, um deputado federal – que já havia renunciado ao mandato na legislatura passada para não ser cassado por improbidade comprovada no famoso caso do “mensalão” foi agora, uma vez reeleito, submetido a acareação pelo Conselho de Ética (?) da Câmara dos Deputados por suspeita de envolvimento em um esquema de superfaturamento de contratos milionários no Ministério dos Transportes (aquele em que foi demitido todo o primeiro escalão dos apaniguados políticos e pertencentes ao partido que tem como presidente o parlamentar em questão, e – como de hábito -, sem qualquer punição para os envolvidos). E, pasmem: o imune cidadão teve seu caso arquivado por expressivo resultado: 16 votos a favor e apenas 2 contra. Corporativismo explícito!

O mundo está mudando rapidamente como nunca antes. Econômica, política e socialmente as transformações vieram para ficar e este país não está imune aos acontecimentos. As primeiras reações de segmentos da população – ainda que pequenas -, estão se fazendo presentes, cansadas de assistir à corrupção desenfreada na política e órgãos públicos, acobertada pelos poderes constituídos, ignorada pela justiça.

Emergir economicamente não nos concede o direito de continuarmos permissivos, submersos, letárgicos. Dentro da lei, da ordem e respeitando a Constituição, o cidadão clama por honestidade, justiça para todos sem distinção e inconformismo com a transgressão da ética e da moral.