O dia 12 de outubro foi celebrado esta semana para alegria do comércio, agências de publicidade e, naturalmente, das crianças.  Mais uma data inserida no calendário das compras (e vendas) deixando os envolvidos – comprometidos com a obrigação de atender aos apelos por aquele presentinho obrigatório – sem opção que não seja a de participar da festança geral.

A comemoração desse que se pactuou chamar de Dia da Criança, merece atenção diversa mundo afora. A ONU, por exemplo, comemora o dia de todas as crianças do mundo em 20 de novembro, data em que os países aprovaram a Declaração dos Direitos das Crianças. No Japão, o dia é comemorado em 5 de maio, para os meninos, com exposição de bonecos que lembram samurais; para as meninas, a comemoração é no dia 3 de março, com exposição de bonecas. Cultura pura.

Destaque para a Nova Zelândia onde a comemoração é no primeiro domingo de março e diferencia-se de muitas por não ser um dia para presentes e sim um dia onde se passa tempo com a família, para rir e brincar. Com uma população de pouco mais de 4 milhões de habitantes, 99% alfabetizada, possui o terceiro mais elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. Sem brincadeira, demonstração de seriedade na condução dos destinos de uma sociedade.

Minha infância já distante me deixa com a impressão que cada vez mais as crianças vêm sendo privadas de desfrutar plenamente de uma de suas fases áureas, da ingenuidade, crenças e sonhos que só a elas pertencem, de maneira ampla e irrestrita.

Subir em árvores,  jogar bola na rua quebrando a vidraça do vizinho – sem querer, é óbvio -; “sumir” de bicicleta sabe-se lá por onde voltando para casa tarde e levando um puxão de orelhas – que à época não era motivo para os pais serem submetidos a acareações em delegacias; meninas usando maquiagem da mamãe, escondidas, mas só de brincadeira; travessuras mil compunham a formação saudável de crianças em pré-adolescentes. Tempos que não voltam mais!

Mas a verdade é: sociedades estão mais inseguras pelo avanço da violência, uso exacerbado e não raro inconseqüente das tecnologias de comunicação, mudança no perfil dos pais – menos disponíveis face à priorização de suas profissões -, deixando muitas crianças crescendo sob a batuta de creches e “nannies” freqüentando escolas já a partir dos dois anos de idade. Um fato.

Agrada-me o “modelito” da Nova Zelândia para celebrar o Dia da Criança. Quem sabe com menos presentes e mais presença possamos fazer a cabeça delas ensinado-as desde cedo a importância maior de ser que de ter.