Profissões são normalmente escolhidas por afinidade com o ofício, expectativa de obter a compensação financeira ambicionada, exercer uma atividade compatível com o talento ou vocação inata.

Para os que almejam um curso superior, a escolha é feita em momento que a vida ainda desabrocha. Com pouca possibilidade de erro, ousaria afirmar que a maior parte dos jovens não tem convicção plena sobre o rumo a trilhar no momento da tomada de decisão.

Uniões, relacionamentos, casamentos formais ou não, fazem parte da vida de todos nós e, a exemplo das dúvidas geradas pela indecisão no âmbito profissional, acontecem pela atração que a alma gêmea desperta em um primeiro instante.

Mas existiriam semelhanças entre esses dois cursos, inevitáveis em nossos caminhos?

A partir da tomada de decisões, o trajeto que leva a uma vida bem sucedida – em ambos os casos – é palmilhado no dia-a-dia. E apenas o implacável tempo vai revelando, lentamente, facetas desconhecidas das opções feitas, as quais nem sempre se revelam acordes com as expectativas inicialmente geradas.

Não são poucos os que se vêem impedidos de mudar os rumos de sua vida profissional,  mesmo que haja absoluto descontentamento ou ausência de realização. Idade, confortável retorno financeiro e benefícios oferecidos pela empresa –  apesar de desapontamentos, compromissos assumidos e até mesmo o “status” desfrutado perante a sociedade­ – fazem com que definições de mudança sejam empurradas com a barriga. E não é por outra razão que o álcool, drogas e paliativos outros estão presentes na vida de cidadãos (e cidadãs) acima de qualquer suspeita quando enfrentam situação problemática de tal magnitude.

Na vida de união a dois a semelhança não destoa. Razões para manutenção de um “status quo” não faltam mesmo quando a chama do interesse vai se apagando, decepções crescendo, expectativas frustradas. Agravantes como o bem estar dos filhos, condição financeira instável ou extremamente estável, idade  e receio de solidão levam casais a enfrentar os fatores já mencionados transformando, não raro, suas vidas em uma verdadeira discórdia. Ou em um eterno faz-de-conta.

As primeiras décadas de nossa existência podem nos iludir como cantos de sereia. Estamos todos na mesma praia, apreciando o mar com seus belíssimos matizes, sem nos darmos conta que as ondas tranqüilas que vão e vem vez por outra se transformam, também, em ressacas.

Mas a vida sempre nos brinda com muitos, muitos acertos que podem tardar, mas não falham.

É preciso, apenas, aprender a nadar.