Somos parte de um mundo globalizado, extremamente injusto, onde políticos administram seus países com duvidosa transparência.

A crise econômica na Europa e Estados Unidos, ainda carente de contornos definitivos, deixa os demais continentes em compasso de espera na expectativa de conhecer o quanto lhes caberá da conta a ser ainda paga pelos desmandos que lhes foram impostos.

Como leigo no assunto, mas espectador atento, acompanho as idas e vindas das políticas praticadas pelos que buscam saídas econômicas para crises geradas por políticos responsáveis pelo mais absoluto descaso com a “coisa pública”. E como sempre, depois de se articularem com pacotes esdrúxulos, os mais fortes colocam a carga das soluções nas costas da população carente

Marcus Tulius Cícero, filósofo, orador, escritor, advogado e político romano já escrevia em 55 a.C: ”o orçamento nacional deve ser equilibrado, as dívidas públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada, os pagamentos a governos devem ser reduzidos se a Nação não quiser ir a falência. As pessoas devem trabalhar em vez de viverem por conta PÚBLICA”. Atualíssimo o desabafo.

No fundo, no fundo, fico com a impressão que os cidadãos que pagam seus impostos e quase sempre pouco recebem de volta de seus governos – com honrosas exceções – são ludibriados por cortinas de fumaça lançadas para encobrirem as razões que levam as sociedades a serem penalizadas e sem chance de reação.

O mundo vem passando por transformações sociais delineadas por povos cansados de serem explorados em seus direitos de expressão e liberdade. O caos econômico instalado está a exigir transformações igualmente profundas no sistema controlador de tudo e de todos: o sistema financeiro internacional.

O que as poderosas nações vêm tentando fazer diante da crise é salvar os bancos responsáveis (irresponsáveis?) pela concessão de empréstimos duvidosos e deixando a responsabilidade de apagar incêndios a cargo de governos constituídos subsidiados por seus cidadãos.

O sistema financeiro internacional frio, calculista, sem qualquer escrúpulo, apadrinhado por governos que lhes devem sustentação política e econômica, age como verdadeiro sanguessuga das populações. No Brasil, os bancos com seus lucros abissais, fruto de juros escorchantes e taxas de serviços exorbitantes cobradas de indefesos cidadãos, trabalham com o meu e o seu dinheiro que pouco lhes custam e muito os remuneram.

Não é por outra razão que contestações públicas ao sistema estão se espalhando por todo o mundo – a partir de Wall Street,  quem diria? -, ícone dessa realidade.

Hora de uma Primavera Financeira?