Amizade é sentimento que nutrimos por pessoas, ou apego a animais, sem esperar por retorno algum. Defini-la com palavras é tão difícil quanto tentarmos expressar o que significa saudade em nossa língua portuguesa. No dia-a-dia é costume confundi-la com coleguismo, camaradagem, relacionamento.

Amigo, amigo mesmo, é diamante raro, preciosa jóia de valor inestimável. Não sei quanto a você, mas reconheço que tenho uns poucos, imersos em um mar de conhecidos muito considerados. Mas os que tenho sempre estiveram presentes nos momentos mais difíceis.

“Mais vale um amigo na praça que dinheiro na caixa” diz o ditado. E esse amigo pode até vir a ser o que é levado para passear com você, inclusive na praça.

Existe alguém mais fiel que um cão ao seu dono? Dar sem esperar recompensa, receber sem pedir é o seu mote de vida. Já ouvimos inúmeras vezes a expressão “fidelidade canina”. Não me recordo – no entanto – de ter ouvido jamais alusão à fidelidade humana!

Já assisti a diversos vídeos com demonstração de amizade incondicional entre animais e o homem. Todos profundamente comoventes, incluíndo-se feras como leões e leopardos, orangotangos, jacarés e até mesmo animais peçonhentos.

Vivendo em bandos, protegem-se uns aos outros, com divergências eventuais e naturais, mas colocando sempre a integridade do grupo à frente de qualquer situação. Irracionais, mas sensíveis, buscam sobreviver sem agredir sua própria espécie.

Seres humanos são educados para aprender a falar, escrever, adotar comportamentos civilizados, discernir valores, buscar objetivos de vida. Fazendo uso da razão, da capacidade de raciocinar, nossos genes nem sempre guardam a lembrança e fazem a diferenciação entre o que precisamos e o que temos.

Todo e qualquer tipo de vida depende de outra vida para sobreviver. Seja no reino animal, vegetal ou mesmo mineral. Dotados de energia, todos sem exceção precisam ser alimentados de alguma forma para “sobreviver”. O animal homem, no entanto, é a única espécie que abate seu semelhante por razões até inomináveis.

Há de haver alguma razão para a verdadeira amizade não predominar entre nós. Quero crer que a desconfiança, não raro ensinada quando ainda pequenos, herdada por pais desde tempos imemoriais e transmitida aos filhos, aliada ao egocentrismo inerente, nos deixa impotentes diante da escassa amizade verdadeira.

Os verdadeiros amigos são aqueles que olham para fora, se conhecem e se reconhecem por dentro, identificam o outro como a si mesmo.

Por isso, talvez, amigo leitor, sejam tão poucos.