Está cada vez mais fácil seduzir as pessoas a comprar até mesmo o inútil. Seduzidas por produtos cada vez mais modernos, mas nem sempre melhores ou com vida útil mais longa, com preços convidativos a serem pagos lá na frente, elas se deixam levar pelo canto da sereia. Conheço algumas, para não dizer muitas, que se rendem ao apelo consumista para se sentirem “em dia” com a modernidade.

Não vou enumerar quais bens ou artigos fazem parte da lista. Para ser simplista, diria que tudo. Até o cafezinho que o brasileiro tanto aprecia passa a ser feito na esteira da cafeteira do George Clooney…: caro, com sabor cientificamente produzido em laboratório seduz os mais sofisticados. Muito pouco para o meu gosto. Marketólogos de plantão foram, devagarzinho, abortando o uso do velho e bom coador de pano que, para meu paladar, torna a rubiácea imbatível. Tempos modernos.

Assisto, com bom humor, nosso mundo girando sob a batuta do descartável; tudo que dá trabalho e toma tempo deve ser substituído pelo mais fácil. Talvez por isso eu seja admirador da filosofia oriental tradicional onde todos os momentos são desfrutados com intensidade, sem pressa, com qualidade. A cerimônia do chá é um dos inúmeros exemplos. Se sua adrenalina permitir  -e você ainda não conhece o ritual – deixo aqui a sugestão para fazê-lo. Você poderá se surpreender e descobrir que estará realmente vivendo um intenso momento não descartável.

Dependendo de sua faixa etária muito do aqui escrito não lhe faz o menor sentido. Talvez você nunca tenha apreciado o sabor da água pura da torneira, das frutas e legumes sem brilho, das carnes (bovinas) que não entupiam de colesterol os amantes da própria. O que a boca não prova o paladar não reclama.

Tive um médico homeopata, longevo, cuja mãe mais longeva que ele – foi-se aos 94 dormindo – cozinhava com banha de porco, comia pão de trigo sem batismo com manteiga sem conservantes, leite que vinha das vacas e não das caixinhas com aditivos. A diferença estava na qualidade da terra e como se alimentavam os porcos e as vacas. Sinal dos tempos.

Bem, é hora de fazer aquele cafezinho de coador, a ser degustado com pãozinho de queijo feito carinhosamente e no muque pela minha cara-metade. Se quiser ser meu convidado um dia destes para um papo sem pressa, sentado na cozinha, comendo e bebendo do melhor (café + pão de queijo) não se sinta acanhado. Dê um toque.

Quanto ao ritual do chá, tenho uma grande amiga japonesa “expert” no assunto. Um dia, quem sabe, ela talvez se disponha a fazer uma apresentação para os mais atentos.

Antecipadamente, “domo arigato”! (muito obrigado)