Vivendo em tempos de correria alucinada, onde o equilíbrio desequilibrado nos leva a apelar para contrapesos às vezes insuportáveis, meio termo é produto escasso na existência de muita gente.

Fico com a impressão de que estamos perdendo a capacidade de guiarmos nossa trajetória por nós mesmos e sendo constantemente impulsionados pela propaganda, pelo consumismo sem limites, pela irresistível tendência de nos mirarmos nos outros.

Homens, mulheres, jovens e adultos, procuram estar na moda: dos cabelos, físico “sarado”, roupas, cosméticos, aparência, ditadas pelo marketing impiedoso, enriquecedor das indústrias e prestadoras de serviços.

A vaidade, que pouco tem a ver com a auto-estima, arrasta milhões de pessoas para a mesmice de imagens enganosas deixando-as órfãs de si mesmas. Nascemos despojados e vamos morrer assim. Nesse interregno, vamos sendo moldados por interesses alheios, habilmente impulsionados por artifícios velados e acenos de uma aceitação maior no meio de nossos semelhantes.

A autenticidade parece ter sido varrida do dicionário e sobreposta pelas falsas aparências. Falsas, porque tentam nos mostram como não somos, alterando nossa identidade, que se apresenta verdadeira apenas quando despidos dos invólucros disponíveis no mercado.

A beleza se encontra na harmonia de proporções, perfeição de formas, em sua forma original. Se assim não for, qualquer programa “photoshop”, por exemplo, sempre dará um jeito, deixando a ilusória sensação de artigo falsificado com maestria. O problema é que não sendo virtuais somos, ao vivo e a cores, realidades distintas. Se a nossa nos incomoda, dourar a pílula pode não ser solução, mas sim, agravante. Mais difícil que conviver com gente é conviver consigo próprio. Aceitar-se com as virtudes e defeitos que não escolheu, mas que só a você pertencem, não é tarefa para qualquer um.

Durante o desbravar de nossos caminhos, escolher os melhores (caminhos) com as ferramentas que nos foram graciosamente ofertadas não é tarefa simples nem fácil. É bem verdade que nem sempre a escolha feita o é por opção. Ainda hoje um amigo me dizia que as pessoas não dispõem mais de tempo para dar importância àquilo que possa lhes ser realmente importante. Ao se defrontarem com a questão, subterfúgios falam mais alto e entrar no desconhecido pode ser preocupante. Tendo ultrapassado a barreira dos 50, sua convicção parece ser um lamento.

Quanto a mim, procuro aprender e tentar compreender que tudo é meio e que nada é um fim em si mesmo.

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RAdeATHAYDE