O calendário inflexível nos coloca diante de mais um ano pela frente. São muitos os que fazem votos de revisão em suas vidas ao espocar dos fogos de artifício para comemorar o novo dando adeus ao velho.

Novas esperanças, novas decisões – até mesmo antigas, não cumpridas, agora renovadas – e gotas de otimismo que respingam com expectativa de orvalhar o ano inteiro, surgem do nada em meio à contagiante atmosfera do “Happy New Year”, do Feliz Ano Novo.

Nossa natureza nos faz olhar para frente vislumbrando o melhor apesar de termos consciência de que o mar nem sempre é de almirante nem o céu de brigadeiro. Mas como navegar é preciso, a ponta de otimismo prevalece para os mais resistentes às intempéries.

E a vida continua, não raro sem muito empenho para apreciar todos os momentos presentes, eis que tendemos a exacerbar a expectativa do que nos reserva o futuro, aguardando com ansiedade o “depois”.

Valorizar ao máximo o que temos agora, desfrutar das benesses presentes em nossa vida – independentemente de conseguidas por esforço próprio ou simplesmente caídas do céu – não é característica da maioria das pessoas. Imperfeito, egoísta, insatisfeito, ambicioso, o ser humano acumula tudo que pode nem sempre usufruindo o que já possui. Quem não tem, quer ter e quem tem, quer sempre mais. O excesso, que dele nos torna escravos, não ameniza nossa existência, muito pelo contrário.

A economia mundial se encontra deteriorada, podre, por ser guiada por um sistema financeiro vil que impinge aos que pouco necessitam mais do que podem e precisam ter: governos, você eu.

Vivemos tempos difíceis, governados pelas condições econômicas globais, forçados, às vezes, a reformular anseios pessoais e necessidades básicas. Valores financeiros são parâmetros, referências, determinantes para uma vida bem sucedida. O que não significa, absolutamente, feliz e realizada.

Quero crer que a oportunidade que se nos apresenta pela deterioração econômica mundial é providencial. Oportunidade de revermos conceitos impostos por uma sociedade consumista que nos impele a acreditar que possuir além do básico para mantermos uma qualidade de vida digna é fundamental.

Priorizar princípios, amizades, convivência familiar, ar puro, alimentos naturais, conversas ao vivo olhando no olho do outro e ouvindo para aprender, optar pelo simples abrindo mão do supérfluo e da vaidade de “também” possuir, pode ser um bom início.

Utopia, direis vós! Empatia com a realidade, penso eu.

Desfrute de um ótimo 2012!