O ano novo amanhece escuro, com chuva criadeira que caiu a noite inteira deixando o ar fresco e a temperatura amena nesse início de verão.

As notícias pela TV dão ênfase aos espetáculos dos fogos de artifício mundo afora inaugurando o novo calendário. Não ficam de fora algumas habituais, com registros de violência, imprudência ao volante causadora de tragédias, excessos cometidos pela irresponsabilidade.

Tendemos a olhar para o ano novo com mais otimismo, com mais boa vontade. Difícil encontrar alguém que ao cruzar a linha da meia noite não tenha como propósitos corrigir desvios, adotar postura mais otimista e realista diante da jornada à frente, observando, quem sabe, as mesmas paisagens por um ângulo distinto e descobrindo que o verso só existe por existir o anverso.

É bem verdade que não são poucos os que só encontram a alegria da “virada” devidamente abastecidos e calibrados. Sem moderação. Mas nos dias que precedem a data – e para compensar – os veículos de comunicação fazem ampla divulgação com matérias ensinando a curar ressacas, sem contestação. Aonde vai a corda vai a caçamba…

Mas, otimista e realista, confio que nestes tempos de mudanças profundas em muitas sociedades que procuram seu lugar ao sol, sem preconceitos ou limitações autoritárias, elevando a consciência de seus semelhantes, muito ainda há de surgir ou desvendar para, quem sabe, passarmos a viver uma nova Era.

Dispomos de tecnologias sofisticadas que aí estão alterando o perfil de todos nós, definitivamente. Modelos ultrapassados de vida em sociedade estão caindo por terra e compete somente a nós optarmos por outros que venham a priorizar o ser humano, abortando as políticas econômicas enganosas que beneficiam apenas uns poucos como os donos do poder financeiro (leia-se: bancos). Compete exigir, ainda, como consumidores, que indústrias nos forneçam alimentos saudáveis sem agrotóxicos, corantes, conservantes, acidulantes e venenos outros.  Estas são, de fato, as necessidades básicas que nós humanos precisamos para viver dignamente. Sem nos esquecermos da qualidade da água que há anos – quem diria no passado – é comercializada em garrafões e desperdiçada na lavagem de calçadas.

Como a chuva não pára e o bendito silêncio é absoluto, fica o convite à reflexão sobre o que se pretende neste ano ainda bebê. Aproveitar as oportunidades que invariavelmente surgirão – a despeito dos contratempos inevitáveis – parece ser uma opção inteligente, ainda que nem sempre fácil.

“Podemos escolher o que semear, mas  a colheita é obrigatória”

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RAdeATHAYDE