Acabo de assistir a um vídeo perturbador que me levou à reflexão e à constatação de que o ser humano está, ainda, muito distante de atingir o que reclama perseguir prioritariamente: a qualidade de vida no mais amplo sentido da expressão.

Acompanhando-se a história, fica clara a opção feita pelo homem de privilegiar o lucro financeiro em detrimento de seu bem-estar.

Nesse mundo conturbado, repleto de catástrofes geradas pela inconsciência coletiva e desrespeito não apenas pela natureza, mas principalmente pelo outro, o que se espera é responsabilizar justamente o outro por nossas apreensões e infortúnios.

É assim, com enchentes devastadoras ceifadoras de vidas e patrimônios, derrocada de potências econômicas pelo uso e abuso da usura, investimentos maciços em atividades belicistas sustentadas por indústrias sem cor ou ideologia, comprometimento da saúde das populações pela ausência de sensibilidade e corrupção nas políticas públicas.

Ao se refletir sobre o vídeo (vide link ao final desta crônica) não cabe dúvida que cabe a nós mesmos, exclusivamente, pagarmos a conta com gorjeta, sem choro nem vela.

Modelos vigentes de sobrevivência em sociedades como as nossas estão exauridos, esgotados em suas propostas, a demandar profunda reflexão e ação renovadora nos meios e fins que ansiamos.

Fica cristalinamente claro que estamos, continuamente, buscando mais espaço para máquinas, concreto, aço, desalojando pessoas, confinando-as e privando-as de tudo que graciosamente a mãe natureza colocou à sua disposição para desfrutar de uma existência saudável e comunitária.

Argumenta-se que o progresso exige atualizações permanentes em nosso comportamento a fim de que possamos nos adequar às tecnologias em uma inversão de valores ainda que questionável.

Somos 7 bilhões de bípedes considerados inteligentes, cada vez mais espremidos em espaços paulatinamente reduzidos por interesses vis, com liberdade de escolha cerceada pela máquina mercantilista.

Seria utopia imaginarmos que existe viabilidade no retorno a um passado que não mais existe quando nele começou a ser desenhada a situação em que agora nos encontramos.

Mas acredito, sim, na criação de bolsões no âmago de nossas sociedades as quais, por persistência consciente – inclusive das mídias de comunicação – poderão dar inicio à reciclagem de um modo de vida (ou sobrevida) com prazo de validade já vencido.

Deles faço parte!

Acesse: http://player.vimeo.com/video/14770270?title=0&byline=0&portrait=0