Discussões e avaliações em torno de temas polêmicos acontecem porque os envolvidos acreditam na força de seus posicionamentos. Argumentações podem se transformar em poeira quando a emoção prevalece sobre a razão e o bom senso. Pior quando, terminadas, discussões e avaliações não aportam em consenso e levam a decisão final para os que têm autoridade maior. E aí…

O Brasil teve como um de seus políticos mais proeminentes um mineiro que, em sua vida pública, foi deputado federal, ministro da Fazenda e vice-presidente da República nos idos dos anos 50 e 60. Vez por outra, imprimia uma de suas famosas frases que bem denotavam a realidade não só na vida política como na nossa no dia-a-dia.

Uma das pérolas de José Maria Alckmin, este o seu nome, era afirmar, sob o simpático sorriso mineiro e sem qualquer constrangimento, que “Primeiro a gente toma a decisão. Depois, a gente faz a reunião”.

Como homem de empresa que fui, pude vivenciar, e não por poucas vezes, que a máxima Alckmin não era desprezada em momentos críticos. Talvez, e até por isso, o saudoso jornalista Nelson  Rodrigues bradasse do alto de sua competência que “Toda unanimidade é burra”! Decisões tomadas por unanimidade apenas cumprem uma formalidade como aquelas tomadas em países democraticamente antidemocráticos.

Séculos antes, o escritor e filósofo Voltaire, conhecido dos tempos da escola secundária quando para nossa formação a língua francesa era importante – e mesmo sem ser mineiro – afirmava que “Há verdades que não são para todas as ocasiões nem para todos os homens”. Touché!

A História, para os mais estudiosos e curiosos, nos ensina que o tempo não apaga as lições para os que querem aprender.  Para os que não querem, cai bem o provérbio holandês “Quanto pior o marceneiro, maior a quantidade de serragem”.

Fóruns de todas as naturezas estimulam debates ou discussões de assuntos que necessariamente não caminham para uma convergência, mas sim para uma ampliação de idéias dispares levando pessoas e sociedades a examinarem questões sob um ângulo diferente. E que, no mínimo, as levam a considerar hipóteses e possibilidades até então desconhecidas.

As contestações, inerentes a esses eventos, fazem parte do espírito democrático entre aquelas que, vislumbrando e acreditando em suas teses, têm a oportunidade de se manifestar e se fazer ouvir. Daí a beleza de mais um provérbio, desta vez chinês: “Se o vento soprar de uma única direção, a árvore crescerá inclinada”.

E para encerrar, mais uma do político mineiro, não menos matreira: “O importante não são os fatos, mas sim a sua versão”.

Raposa velha! Fez escola!