Os assuntos em destaque na primeira página de jornais e capas de revistas, chamadas de TV e portais na internet são, via de regra, sobre debacles econômicos, politicagem, corrupção, tragédias, barbáries e corolários. A imprensa sabe como enfatizar catástrofes e escândalos, que dão mais ibope, vendem mais, aumentam seu faturamento.

Procuro manter-me informado sobre a maioria dos assuntos – afinal vivo nesse mundo – mas confesso que ler matérias que destacam o lado obscuro do dia-a-dia não me fazem bem ao fígado. Afinal, se tudo na vida deve ser equilibrado, como nossa conta bancária e peso corporal para dizer-se o mínimo, porque temas que tornem nossa existência mais amena não merecem ampla divulgação e relevância, logo de cara?

Vez por outra caio na armadilha do noticiário, deixando-me levar pelo inconformismo diante de realidades virulentas e desmandos abissais. Daí, para me expressar aqui com indignação é apenas um passo. E se você me acompanha há algum tempo deve ter observado que, não raro, fico “irado”, principalmente com assuntos de desregramentos políticos ou descaso de autoridades com a saúde e educação.

Não creio que tenhamos plena consciência de como essa parafernália informativa altera nosso comportamento, reações e sensibilidade. A banalidade tomou conta de nossos sentidos tanto que na TV, após uma notícia trágica, se segue outra, imediatamente, com assunto distinto e às vezes até hilário. Qual a reação?

Sobre estas considerações você pode simplesmente argumentar que o mundo é assim e ponto final. Mas, sem qualquer constrangimento, timidez ou desconforto, confesso que ficaria mais feliz se ao abrir o noticiário pudesse ler ou assistir – de saída – a notícias agradáveis.

Humanizar um pouco a vida nestes tempos de tudo on-line, tempo real e virtual, incapacidade de conseguir absorver tanta informação, me parece ser uma boa trilha a perseguir. É possível que este meu transatlântico carregado de filosofia, nestes tempos onde tudo que temos é menos tempo, possa ser motivo de alguns sorrisos brejeiros.

Mas não creio que minha realidade seja quimérica, até porque tive infância e adolescência saudáveis ajudando-me a ser o homem que hoje sou: com todas as virtudes e defeitos. Li Viagens de Gulliver, o Pequeno Príncipe – de Saint-Exupèry -, assisti aos filmes de Bambi, Branca de Neve e os Sete Anões, Mágico de Oz, Chaplin e Três Patetas, entre muitos saudáveis. Por sorte, minha mente não pode ser emburrecida  nem entorpecida por Brasis Urgentes, BBBs,  novelas plim-plim.

Tento, assim, não me deixar levar por manchetes selecionando o que me faz bem a alma. E, talvez por isso, faça conhecer minha visão do mundo sem véus ou armaduras.