Mais que o tempo, o que nos envelhece é a mesmice da rotina, sem variações. Deixa marcas de expressão no rosto e no corpo, como registros em um diário. E gente jovem, sem cabelos brancos, mais idosa que muitos longevos. E grisalhos esbanjando saúde e alegria.

Somos, por força das circunstâncias, levados a criar hábitos na verdadeira acepção da palavra. Desde o momento que acordamos até a hora de nos recolhermos. Nosso corpo age e reage automaticamente condicionado que é pelo cérebro, programado por nós mesmos. Inconscientemente, realizamos nossas tarefas diárias mecanicamente a exemplo daquela executada quando dirigimos nosso carro; não permanecemos atentos à sequência dos movimentos a serem executados, mas  interagimos com a máquina como nossa extensão.

O mesmo raciocínio é válido para a forma como fazemos nossa higiene, nos vestimos, nos alimentamos, roteiro de andar  pela casa a procura de algo, lugar de sentar à mesa, maneira de dormir. Agimos como se cegos fossemos (não no caso do carro, é óbvio…), automaticamente, circulando por caminhos sobejamente conhecidos sem a necessidade de ter que “pensar” sobre como devemos nos comportar a seguir.

Ivan Pavlov, médico e fisiologista russo, falecido em 1936,  pesquisador do papel do condicionamento na psicologia do comportamento, o conhecido “reflexo condicionado”, explica nossas reações diante de certos estímulos. Se tiver curiosidade de conhecer um pouco mais sobre o assunto pesquise pelo Google (que não é meu patrocinador… mas quem dera).

Por que estou a escrever sobre isto? Porque recentemente, aqui em casa, trocamos o lugar do filtro de água para o lado oposto na cozinha. E durante um bom tempo, instintivamente, ao buscar água sempre me dirigia primeiramente para o local antigo. Terminava por rir de mim mesmo a cada vez que seguia para o lado errado.

Se você acha isto uma bobagem e burrego, sugiro que faça algumas mudanças em hábitos corriqueiros, depois ria de si mesmo e… se lembre de mim. O episódio deixou-me mais atento para a necessidade de quebrar certos padrões de hábito levando-me à reciclagem da mesmice do dia-a-dia.

Aproveitando, existe um preceito budista que nos orienta para que “em todos os momentos do dia” mantenhamos a “mente alerta e a atenção plena” naquilo que estamos fazemos. Parece fácil, mas não é. Se quiser tentar – e conseguir – faça mudanças em sua rotina e verá o mundo de outra forma. Irá, no mínimo, se divertir.

“Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos atos.” (Pablo Neruda)