Em um bate-papo com amigos, jogando conversa fora, um deles saiu-se com essa: “está tudo muito esquisito”. Fazia  alusão aos atinos e desatinos nestes tempos que percorremos. São acontecimentos catastróficos por aqui e longe daqui, ocorrências que vem crescendo ano após ano, mas que estão a alcançar dimensões nunca antes vividas.

Com a população mundial inchando – éramos 7 bilhões de terráqueos… até agora a pouco -, com espaços cada vez menores ofertados aos bípedes pensantes, mas maiores alocados a máquinas e congêneres, não é de se estranhar que estejamos vivenciando tanto desequilíbrio.

Desnecessário descrever o que o noticiário não se cansa de nos entulhar diariamente, a cada hora. A velocidade dos eventos, bem como sua diversificação, com pólos antagônicos, como que colocando tudo dentro de um mesmo cesto, não nos deixa espaço para concentração, estimulando a dispersão. Parece ser esta a válvula de escape que nos permite tocar a vida, mas que compromete nossa sensibilidade para o tragicômico a cada vinte e quatro horas.

Estaríamos nós em constante fuga, buscando abrigo nas promessas de um tudo melhor e mais atraente diante do bombardeio diuturno da propaganda e do marketing?  O descontentamento em nós estimulado por aqueles agentes, com objetivo único de – como o uso de alucinógenos ou alcoólicos – nos prometer um estado de espírito de encontro e realização fazendo-nos esquecer a realidade? Fazendo-nos almejar e usufruir o mais novo, o supérfluo, o irreal, tornando-nos meras marionetes nas mãos de lavadores de cérebros?

Fico com a impressão de que os humanos não mais conseguem viver sós, consigo mesmos, desfrutando do encontro intimo que apenas corpo e mente – sem estímulos externos – pode propiciar. O silêncio, artigo em extinção, foi corrompido pela praga sonora do “aumente o volume”, com sua presença maciça em carros, lojas, baladas colocando nossos sentidos em outra dimensão.

O importante não é mais estarmos aqui, agora, consciente do momento que vivemos, da reflexão sobre atos e fatos. Somos levados a não mais pensar, mas sim, a sermos levados pela correnteza das promessas que, atingidas, abrem novo vazio a espera de… mais. Como em mar revolto, coloca-se a cabeça fora d´água e lá vem a nova onda: um moto-perpétuo.

Queremos viver mais, estamos vivendo mais, freneticamente, na incessante perseguição da realização pessoal e profissional, cujos parâmetros são ditados por estereótipos que inibem nossa individualidade. Devemos acompanhar tendências, nos igualarmos aos demais, sem qualquer espírito crítico, a fim de sermos aceitos pelos semelhantes.

Sem tempo de ter tempo, nosso tempo se esvai.