Nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Não me parece, pois, que pertençam ao acaso as atuais turbulências econômicas, climáticas, sociais e políticas.

Um olhar atento aos acontecimentos que estamos presenciando parece deixar clara a mensagem de que as regras a que temos sido submetidos para viver em sociedade estão com os dias contados.

Senão, vejamos:

Uma nova ordem econômica cujo modelo atual, exaurido, catapultado pela crise européia e norte-americana, exigirá forçosamente profundas alterações. Alterações já iniciadas, ainda que tímidas, mas irreversíveis. O movimento “occupy Wall Street” é um exemplo que, apesar de cerceado, se espalhou por diversos países.

As condições climáticas, cada vez mais adversas em todas as latitudes, estão a exigir – para sobrevivência da espécie – mudanças no comportamento das nações. Privilegiar os interesses econômicos em detrimento da qualidade de vida e saúde dos povos não encontrará mais abrigo em decisões de superpotências em declínio. A tragédia nuclear de Fukushima, Japão, no ano passado – ainda sem conseqüências claras – é um alerta para o mundo.

Países emergentes como os BRICS, passarão a ter voz e certamente veto em decisões de natureza global. É apenas uma questão de tempo a reformulação de organismos como a obsoleta e imperial ONU e suas agencias. Não é mais possível admitir-se, neste século 21, que 195 países a ela filiados tenham seus destinos definidos por apenas cinco cujos interesses não querem ver arranhados.

A geopolítica das regiões vem se alterando dramaticamente, em especial no Oriente Médio e sudoeste da Ásia, afetando o equilíbrio e seu relacionamento com o Ocidente. Conquistas em todos os sentidos estão a desenhar um novo panorama, ainda incerto é verdade, mas sem qualquer perspectiva de reversão.

A tecnologia da informação, permitindo a interação entre culturas diversas, tornou-se arma poderosa para conscientização e disseminação das liberdades individuais em sociedades antes fechadas. A informação, antes controlada em várias partes do mundo, está agora ao alcance de todos desnudando inverdades demagógicas.

Assim, acredito que estejamos, realmente, vivenciando o limiar de uma nova e profícua Era.

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê (Platão)