A sabedoria oriental nos coloca, sempre, diante de realidades reveladas através de metáforas. Reveladas apenas para aqueles que buscam a compreensão do não óbvio. Defronto-me com uma, produto da reflexão chinesa: “O homem que não sabe sorrir não deve abrir a loja“. A profundidade desse pensamento vai muito além do entendimento literal de meras palavras; o que nos leva a imergir em um universo complexo regido pela lógica cartesiana.

Os animais expressam seus sentimentos sem lágrimas nem sorrisos. Aqueles mais evoluídos o fazem pela emissão de sons e para bons leitores através de um simples olhar. O bicho homem se vale de mecanismos para ativar expressões faciais como o choro triste ou alegre, cenho cerrado ou olhos apertados, dentes a mostra que podem demonstrar ambigüidade.

Nossa comunicação com o meio exterior se produz por gestos, sons ou através do mais absoluto silêncio. Uivos e explosões de alegria fazem parte da alegoria de manifestação. Aliás, neste particular não diferimos muito dos animais, mestres que são na arte de transmitir sonoras mensagens ininteligíveis para os inteligentes humanos.

O estilo de vida cultuado pelas sociedades ocidentais, estimulado pelo consumo desenfreado que desencadeia o processo da perseguição ao mais com o menos, tem nos levado a sobreviver com medo de tudo e de todos, armados de desconfiança, desprovidos de segurança intima.

Os encontros e desencontros com o próximo guardam muito dessa relação entre o ter e o ser traçando uma linha divisória inconsistente. Inconsistente por carecer de coerência fazendo-nos servir a dois senhores conforme as circunstâncias. Circunstâncias que exigem enfrentamento de uma realidade presente em todos os momentos a exigir transparência de propósitos consistentes com a verdade de cada um.

Ações geram reações que atuam no mesmo sentido e contrariam, assim, princípio elementar da física. Agimos sempre na expectativa de obtermos resposta compatível com nossa determinação, qualquer que seja sua natureza. E ai reside a dificuldade maior para estabelecimento, manutenção ou ruptura da sintonia fina.

Vivemos em permanente exposição tentando deixar claros nossos posicionamentos, buscando aceitação, tentando conquistar espaços que por vezes não nos pertencem. Se nosso comércio de expectativas e exigências não se encontra em perfeita harmonia com aquele do mercado, é preciso reconsiderar.

Saber sorrir na hora certa pode fazer a diferença. Abra um sorriso!