Os índios, onde quer que se encontrem e vivendo em harmonia com a natureza desde sempre, têm amargado um isolamento imposto pelo homem branco. Em qualquer parte, sua visão da vida, hábitos sociais e de convivência não tem servido de exemplo para aqueles que chegaram depois. Muito pelo contrário. Seus princípios e valores arraigados, dignos de respeito e admiração pelos mais lúcidos, têm sido subjugados ao longo dos tempos.

Existindo harmoniosamente e sobrevivendo nos mais variados ambientes, hostis para o homem branco – florestas  tropicais, desertos ou regiões inóspitas de frio intenso –, estes irmãos desalojados para reservas indígenas, usurpados em seus direitos de direito às terras e a tudo que ela tem a oferecer, permanecem fieis ao que lhes foi ensinado por seus ancestrais. Os contaminados, não apenas pelas doenças transmitidas pelos que querem mais a custo zero, sofrem com o distanciamento das tradições e pagam por suas conseqüências.

Somos hoje 7 bilhões de bípedes, literalmente empurrados uns contra os outros, com espaços e recursos de toda ordem reduzidos em escala exponencial, barganhando qualidade de vida por quantidade de bens e maior pseudo-conforto. Estamos a pagar um preço exorbitante na perseguição a tudo que a generosa mãe natureza ainda nos oferece de “mão beijada”. Ainda!

Os objetivos de vida, não mais ditados pela introspecção, mas sim pela explosão de valores fragmentados a massagear egos, são comparáveis às corridas de tiro curto, ou seja, de 100 metros, quando, em realidade, estamos participando de uma maratona. Estamos, assim, perdendo o fôlego, buscando o ar que nos falta, a água para saciar a sede, o espaço que o contendor ao lado não nos permite ocupar.

A Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável a se realizar no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho, pretende desenvolver uma agenda para os próximos 20 anos.  O objetivo é elaborar um plano de ação para construir um mundo mais limpo e sustentável, compatível com o aumento populacional.

Dos cinco membros permanentes com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU três estão entre os maiores poluidores do planeta. Com a raposa tomando conta do galinheiro e as prováveis ausências na Conferência do presidente do maior país emissor de poluentes, os Estados Unidos, e da chanceler da maior potência da Europa, a Alemanha, as discussões mais objetivas devem ficar mesmo por conta dos eventos com a sociedade civil. Ainda bem!

E cabe lembrar a profecia da tribo indígena Cree, do Canadá:

“Quando a última árvore for derrubada

O último rio envenenado

E o último peixe fisgado

O homem tomará consciência

De que não poderá se alimentar de dinheiro”