Não fui bom aluno de física nos tempos de estudante. Com o passar do tempo, no entanto, fui compreendendo que a ciência com suas propriedades e leis fundamentais – ainda que esquecidas ou não aprendidas – regem nosso dia-a-dia. Em realidade e obviamente, não precisamos desse conhecimento para viver e sobreviver, mas pode ser interessante – até empiricamente, se me permite – observar fundamentos científicos na vida do dia-a-dia. Velocidade e aceleração, por exemplo, são variáveis sob nosso controle. Variáveis que ditam o ritmo que nos é imposto ou… que impomos a nós mesmos na lida diária. Mas o combustível disponível e as distâncias a percorrer, certamente não são.

Às vezes mais acelerados, outras menos, literalmente empurrados pelas circunstâncias, seguimos em frente sem cessar mesmo quando, vez por outra, somos obrigados a dar marcha à ré. Não raro olhamos pelo retrovisor e nos damos conta que pode ter havido um desperdício aqui e ali, mas que, felizmente, ainda existe o porvir para ser desfrutado diante de opções colocadas à nossa frente e recuperar o tempo perdido, ainda que de forma distinta.

Acredito na verdade de que temos a opção entre engatarmos uma quinta marcha ou reduzirmos para a terceira, ainda nessa altura do campeonato, diante das situações de alerta que se apresentam. Existe sempre o benefício da dúvida, claro, eis que existem também espinhos e pedrinhas que surgem no caminho de muitos obrigando-os a – então sem alternativa – uma revisão drástica na velocidade e comprometimento. Por simples questão de sobrevivência, pois os riscos de comprometer o futuro não são pequenos, ousaria afirmar. Eis que percalços acontecem sem aviso prévio.

A leitura que faço dos tempos que atravessamos é a de que o tempo disponível para realizar mais e mais, sejam ambições, sonhos, conquistas, se esvai mais rápido que nunca. Vivendo em um mundo “fast”, enfrentando as dificuldades inerentes e, não raro, ansiedade exacerbada para nos mantermos atualizados, na crista da onda, engrenados na moda, o tempo para digerir, assimilar, desfrutar da fartura de tanto, afunila. E como nos lembra a piada, “vai ser bom, não foi?”

A pressão exercida pelo “sistema” sobre todos nós, sob as mais variadas formas, atingindo egos e auto-estimas, comprometendo aspirações várias, não é pequena. Cada um a seu modo, no entanto, procura conviver com – e superar – eventuais frustrações pela exigüidade do tempo agindo com o melhor de seu arsenal de compensações.

Transformar metas em realidades tem um preço. A questão é avaliar se os meios justificam os fins. Afinal, Você é mais importante.