O fim do mundo está próximo. Segunda uma profecia Maia, a data é 21 de dezembro de 2012. Apesar de considerada por muitos uma especulação, a profecia tem rendido a outros tantos lucros com a venda de produtos de segurança e alimentos para estocagem além da comercialização de áreas imobiliárias entendidas como sendo livres de risco. Por aqui, não tenho notícia de tais ocorrências, mas mundo afora sim.

Enquanto os terráqueos vão vivendo o seu dia-a-dia e a data fatídica não chega, acontecimentos reais estão presentes nas manchetes dos jornais. Guerra fratricida e étnica na Síria – maquiada como conflito -, democracia obscura no Egito, indefinições nos sistemas financeiros de países europeus com a corda no pescoço levando suas populações para o cadafalso, atentados diários no Oriente médio causando a morte de milhares de inocentes, enchentes, terremotos e afins.

Alvoroço de um lado, expectativa de mudança de rumo de outro. Assistimos à realização simultânea de dois eventos que poderiam – ou até mesmo deveriam, a prevalecerem o bom senso e  a lucidez – alterar a vida dos sobreviventes deste planeta insano: a Rio+20, na Cidade Maravilhosa e a reunião do G20, em Los Cabos, no México.

Constrangedora a falta de interesse demonstrada pelo presidente Barack Obama – que dispensa apresentação – do primeiro-ministro da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, David Cameron e da chanceler alemã Angela Merkel. Ausentes do primeiro evento, mas presentes no segundo, a prioridade deles no momento é tentar resolver os problemas criados por seus governos desdenhando os 7 bilhões de habitantes desta esfera que já se disse ser azul. Suas prioridades são sair do buraco financeiro em que se meteram levando outros tantos de roldão. A qualquer preço.

Justiça seja feita, no entanto, à Alemanha, que vem carregando o piano em uma demonstração clara de ter vivenciado a lição que apenas uma derrota devastadora como a da Segunda Guerra Mundial pode ensinar.

Os conturbados momentos que atravessamos em muito se assemelham aos de uma hecatombe. Não mais localizada aqui e ali, mas  prenunciando que o pior pode estar por vir. Privilegiar-se Los Cabos, deixando o Rio como estepe na busca de soluções prioritárias para salvar o planeta é admitir-se a perda dos dedos, na tentativa de salvar-se os anéis.

A notícia alentadora é que organizações não governamentais e a sociedade civil, sem rabo preso com compromissos políticos e empresariais, dão sinais de sua evidente consciência e crescente presença. Vozes que vieram para ficar, eloqüentes, nestes dias em que informações e versões não são mais transmitidas a partir dos púlpitos.

Aleluia!