Bogotá, quase 8 milhões de habitantes, capital da Colômbia. Graças a uma matéria do excelente e laureado jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, tomei conhecimento de entrevista concedida por Enrique Peñalosa, ex-prefeito daquela cidade entre os anos de 1998 e 2001.

Além do respeito e admiração que dedico ao trabalho de Dimenstein, pareceu-me oportuno pegar uma carona sobre o que vi e ouvi em um vídeo, para inspirar-me sobre algumas questões relativas às cidades em que vivemos.

Caso tenha interesse em conhecer a visão e ação desse homem que contribuiu para aliviar a pressão exercida pela ditadura dos automóveis nas ruas da capital colombiana, acesse o link http://folha.com/no1109672 e assista a um vídeo com este personagem, a meu ver, especial. No mínimo, poderá constatar como foi possível criar-se em uma cidade, então caótica, mais de 300 quilômetros de ciclovias, entre outros sucessos.

Nosso governo, procurando estimular a economia, diante de um “pibinho” preocupante, abre as comportas do crédito para, inclusive, estimular a venda de mais automóveis. Para o governo, as ruas saturadas de carros, os congestionamentos estressantes, a poluição crescente, o comprometimento da saúde física e mental das pessoas, são ônus sem importância, pois o importante mesmo  para ele  –  governo – é realizar resultados econômicos imediatos. Produzir mais automóveis gera mais emprego, que gera mais consumo, que gera mais impostos para os cofres do governo. Questionável!

Uma sociedade já endividada pelo excesso de crédito farto para compra de bens duráveis subsidiados, casa própria e até mesmo supérfluos adquiridos em longo prazo, não tem muito mais a contribuir. Com a inadimplência crescendo, o modelo parece estar se exaurindo. Mas parece que, finalmente, o governo resolveu abrir o seu cofre também. Já era tempo.

O automóvel, sonho de consumo e status para a maioria das pessoas, não pode mais reinar absoluto. Ocupa espaço vital nas ruas e estacionamentos, espaços que poderiam ser usados para a melhoria da qualidade de vida com praças, áreas de lazer, conforto social. O assunto, mais que debatido por minorias da sociedade é antigo e aqui estou eu a chover no molhado… Não importa, sou minoria mesmo, aguardando investimentos no transporte público de qualidade e abertura de ciclovias.

Assim, creio ter chegado o momento para uma reflexão e ação madura; que apenas terá sucesso se e quando adquirirmos consciência sobre as prioridades visando uma vida mais saudável. Para tanto é prioritário romper-se com a ditadura econômica imposta por governos e enfrentar-se a poderosa indústria automobilística que nos vende produtos a preço de ouro.

Viva a bicicleta!