Enquanto as disputas por medalhas de ouro, prata e bronze acontecem nas Olimpíadas de Londres – onde o Brasil melancolicamente pouco consegue se sobressair – a roda do mundo continua girando.

Por aqui, foi dada a largada para o julgamento do Mensalão no Superior Tribunal Federal (STF) com dinheiro duvidoso sobrando por toda parte. Ainda não há como se antecipar qualquer resultado diante da atuação de advogados manhosos e calejados que se apresentam perante os ministros da casa, os quais demonstram, por vezes, indisfarçável tédio a julgar-se pelas imagens da televisão. Divulga-se, ainda, que os votos dos ministros já estariam escritos e que… portanto… apesar de poderem ser revisados a qualquer momento até o pronunciamento do veredicto, os juízos já estariam formados. Para o cidadão, relevante é a acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmando que entre outros delitos só do Banco do Brasil foram desviados R$ 73 milhões em recursos públicos para abastecer o esquema.

Nos Estados Unidos, líder de assassinatos em massa, como os dois últimos ocorridos com um intervalo de apenas duas semanas, quando 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, a emenda constitucional que permite a venda legal de armas de qualquer calibre e sofisticação permanece incólume. Assunto intocável pela cultura dominante onde uma em cada três pessoas possui uma arma de fogo e as vendas em âmbito mundial vão além de US$ 21 bilhões. 

As guerras não convencionais mundo afora são abastecidas por armas vendidas no mercado negro para não comprometer aliados e inimigos do momento. Produzidas por países industrializados, Brasil incluso, ninguém sabe ao certo o montante de dinheiro envolvido; certamente bilhões de dólares circulando clandestinamente com a cooperação de bancos acima de qualquer suspeita. Governos e rebeldes da Síria, da Tunísia, Líbia e Egito recentemente, conflitos internos no leste da África, foram e são, todos, armados por potências pertencentes à Organização das Nações Unidas.   

Na contramão das peripécias terrestres o jipe-robô Curiosity, lançado pela NASA, aterrissou em Marte na segunda feira após uma complexa operação de pouso. A viagem que começou em novembro de 2011 levou o robô a percorrer 570 milhões de quilômetros. Foram investidos US$ 2,5 bilhões, o equivalente a R$ 5 bilhões. Uma ninharia, se comparado com o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano. A informação, fidedigna, foi publicada com detalhes pela revista Veja em outubro do ano passado. E como na há erro de digitação, espero que você esteja tão surpreso (e revoltado) como eu.

Dinheirama suficiente para aliviar o sofrimento de milhões de carentes do planeta.