Você, em algum momento de sua história, ou até mesmo em vários, deve ter se perguntado como estaria sua vida hoje caso tivesse tomado decisões diferentes das já tomadas face às circunstâncias que foram se apresentando ao longo da trajetória. A opção da carreira profissional, a escolha daquele ou daquela com quem partilhar a pasta de dentes, a mudança de emprego na busca por melhores oportunidades, o envolvimento com projetos que não seguiram o percurso desejado ou os bem sucedidos.

É irreal imaginarmos que possamos passar incólume – sem arranhões – pela trilha do caminho espinhoso, caminho sem qualquer sinalização, que nos permita seguir sempre na direção certa. E aí nos defrontamos com a grande questão: o que é certo e o que é errado.

A definição de certo ou errado é subjetiva, eis que é fruto de convenções estabelecidas por culturas distintas abrigadas em regiões geográficas as mais dispares. As regras ou normas impostas para vivermos e convivermos em sociedade, qualquer sociedade, sem que soframos penalidades, foram e são criadas para atender anseios do momento. Enquanto umas se mantém ao longo dos séculos, outras se modernizam – por assim dizer – dando origem a uma nova cultura.

Monogamia, poligamia, exposição ou não do corpo publicamente, pena de morte, sacrifício de animais para servir de alimentação humana, crenças religiosas e seus dogmas, união matrimonial pelo casamento imposto, são alguns dos muitos preceitos estabelecidos por sociedades que guardam semelhanças apenas na forma e não conteúdo. São seres humanos, falam uma língua, respiram, se alimentam e dormem, procriam.

Enquanto a Terra gira em torno do sol, a tecnologia vai aproximando seus habitantes, encurtando distâncias culturais, alterando costumes, revolucionando formas de viver.

O que nos leva a ponderar sobre a questão inicial. Somos todos influenciáveis pelo meio em que vivemos, procurando moldar nossas vidas pelas regras e ensinamentos a que somos submetidos desde o nascimento. Viver em desacordo torna rebeldes, perante os cânones, os que buscam sua liberdade de expressão e forma de viver diferenciada, tornando-os estranhos no ninho. Em sociedades culturalmente rígidas a pena de morte pode ser o desfecho de uma vida.

Paradoxalmente, temos liberdade absoluta para conduzirmos nossas vidas de acordo com nossos desejos, mas não necessariamente com as opções colocadas diante de nós. E como não existe fórmula que oriente para uma realização plena cabe, quem sabe, refletir que você e eu somos apenas um sétimo bilionésimo desse formigueiro humano que habita o planeta.

Muito pouco para, talvez, muita pretensão.