Estamos assistindo ao julgamento do Mensalão pelos ministros do egrégio Supremo Tribunal Federal (STF). O processo que envolve corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, vem se arrastando há cerca de sete anos por ação de competentes e caros advogados.

Análises têm sido feitas e matérias escritas sobre o assunto, mas sempre com tratamento jurídico. Não é o meu caso, aqui. Procurarei ater-me às impressões de um leigo, distante do palco e dos bastidores, ignorante em matérias pertinentes. O que me resta, portanto, é assistir ao espetáculo em que se transformou o julgamento onde afloram as vaidades de suas excelências que vestem toga, embevecidos pela exposição aos holofotes da televisão. Assistir, aprender um pouco mais sobre a natureza humana, constatar que o exercício dessa ciência inexata das normas e leis que regulam a vida em sociedade pode servir a dois senhores.

Acredito seja essa uma das atividades profissionais que mais exijam de seus titulares consagrados maior conjunto de valores intelectuais.   Filho de advogado que sou sempre admirei os embates nos tribunais onde o conhecimento das leis e seus meandros, inteligência, perspicácia, estratégias, levam os bem sucedidos causídicos à vitória nos julgamentos. E aos julgadores, além de todos esses atributos, a sensibilidade para, com absoluta isenção, pronunciarem seus veredictos e sentenças conscientes das consequências oriundas das decisões tomadas.

O julgamento da ação penal do mensalão pelo STJ, qualquer que venha a ser o resultado final, deverá criar, também, além de jurisprudência sobre diversos temas, novos paradigmas para a atuação política neste país.

O que ficou patente desde o início do processo é a predisposição para o embate entre vossas excelências, haja vista aquele já evidenciado entre o ministro relator e o revisor na votação sobre a ação dos réus deputado federal João Paulo Cunha e do repassador de recursos financeiros Marcos Valério e seus sócios à época.

Tudo leva a crer que novas colisões entre juízes da mesma envergadura irão ocorrer. Ao “pinçarem” nos autos as provas e argumentos que consolidem seus posicionamentos, descartando outras evidências, inevitáveis serão as contestações.

Assim, o que se assiste no palco ocupado por suas eminências são o talento e conhecimento para buscar justificativas consistentes para seus votos. Como seres humanos são influenciáveis, dotados de convicções próprias, as posições assumidas pelos togados em nada ferem a veracidade dos fatos registrados nos autos. São estratégias legítimas, concordemos ou não com elas.

Talvez por isso a justiça seja cega!