Somos uma sociedade consumista por excelência. Recentemente ouvi de um famoso sociólogo: “você é o que você consome”. Ponderando a respeito… constato que após a revolução industrial fomos, paulatinamente, nos tornando uma espécie de indústria-dependentes. Com a criatividade que lhe é peculiar, identificando meios e modos de satisfazer o comodismo de seus semelhantes, o ser humano vem desenvolvendo sua capacidade de produzir bens cada vez mais sofisticados para atender à demanda do conforto e da vaidade.

Governados que somos pela mola que move o mundo – o dinheiro – vivemos crises econômicas cada vez mais intensas que atingem países e pessoas deixando clara a fragilidade de um sistema que penaliza milhões em todo o planeta. Paradoxalmente, quero crer que nascemos e vivemos para desfrutarmos de tudo aquilo que a vida nos oferece, a começar pela natureza que com seu desprendimento nos oferta como presente, gratuitamente, o essencial para uma vida plena.

Através dos séculos desvirtuamos nossa forma simples de pensar e de viver, invertendo polos de satisfação e bem estar, dando prioridade ao ter mais, relegando o ser mais. Fomos nos tornando uma espécie de autômatos, mergulhados em uma engrenagem cuja meta na vida é – vida tão frágil, cabe lembrar – consumirmos à exaustão perseguindo e tentando satisfazer anseios estimulados por indústrias e meios de comunicação.

Não creio que estejamos sendo mais felizes por, muitas vezes, alcançarmos mais, possuirmos mais. Como as ondas do mar que se sucedem infinitamente, nos tornamos reféns de uma vontade influenciada pela competente máquina de persuasão que é a propaganda. Torna-se quase impossível resistir aos apelos de compra, maquiavelicamente produzidos para atingir nosso inconsciente. São facilidades a mais colocadas à nossa disposição, a apresentação do novo que descarta o antigo ainda plenamente utilizável em toda a sua extensão, a adesão ao “hit” do momento. E como a vida é feita de muitos e sucessivos momentos… engatamos em um moto-perpétuo.

Jogo no time dos que, heroicamente, tentam resistir ao supérfluo. Como nasci e vivo em um país abençoado, livre de catástrofes maiores, sem participação em guerras e atentados, com sol, samba, futebol e lindo por natureza, não creio que precisemos de muito para realmente desfrutarmos de uma vida plena, cuja definição certamente varia de pessoa para pessoa.

Honestamente, tenho reais dúvidas sobre nossa capacidade de usufruirmos de tudo que possuímos. Um exame de consciência isento, quem sabe, pode nos revelar surpresas agradáveis. Não custa tentar.