O general Charles de Gaulle, líder das Forças Francesas Livres durante a  II guerra mundial, foi presidente da França entre os anos de 1959 e 1969. Ele, que foi também político e estadista afirmou, certa vez, que o Brasil não é um país sério. De lá para cá muita água rolou debaixo da ponte e a asserção daquele que foi um dos maiores nomes da história política contemporânea quase foi desmentida.

Quase, pois no momento em que o STF (Superior Tribunal Federal) faz o julgamento de um esquema de corrupção inominável, surgido a partir do mais alto escalão da República, a famosa CPMI do bicheiro Carlinhos Cachoeira parece estar com seus dias contados. Parece. Correndo em paralelo com a Ação Penal 470, em curso naquele tribunal de instância máxima, foram os trabalhos da comissão paralisados há cerca de um mês antes do inicio das eleições municipais retornando apenas na terça feira passada.

Agora nos chega a surpreendente notícia de que os partidos instalados no governo federal – comandantes que são das ações da comissão – fizeram um acordo para encerrar a dita investigação, apesar de algumas reações internas contrárias ao encerramento da CPMI tal como está. O relator do processo, ao que consta, age em consonância com o Planalto cujo receio é expor o governo a riscos, dado o tamanho do “imbróglio”. A se confirmar a decisão, políticos e jornalistas ligados à Cachoeira, em um esquema que movimentou R$ 36 bilhões segundo a apuração de parlamentares da comissão, escreverão mais esta fétida história da política brasileira dando plena razão a de Gaulle.

Sinto pena do heroico e digníssimo ministro Joaquim Barbosa, do STF, relator do escândalo do Mensalão. Que apesar de todas as pressões que vem sofrendo, permanece firme em suas convicções democráticas, morais e éticas, não cedendo aos lobos maus camuflados de cordeiros. Dando um exemplo de qualidade moral que infunde o mais profundo respeito, com seu nobilíssimo comportamento, certamente faria corar o herói francês do século passado.

A se confirmar o descalabro ora sendo orquestrado pelos políticos da CPMI, sob a batuta do governo federal ao que se informa, o Brasil perde a oportunidade única de se apresentar ao mundo em crise como um país sério que revê sua condescendência para com a corrupção política nacional.

O STF, julgando o Mensalão, honra o judiciário brasileiro. Já os parlamentares, da CPMI…

Um país que procura dar uma demonstração de competência econômica não pode nem deve pactuar com a bandalheira financeira instalada entre políticos venais, subornáveis e subornadores, mancomunados com o que há de mais abjeto.

Acorda, Brasil!