A semana que passou foi recheada de eventos políticos de grande repercussão: CPI (?) do Cachoeira, que parece ter ido realmente por água abaixo, mais condenações no Mensalão, posse do novo presidente do Superior Tribunal Federal com direito à presença da Presidente da República, festão e até mesmo exibição artística de um dos ministros daquela Corte, quem diria.

A sisudez dos magistrados, quando em julgamento no plenário, contrastou com a descontração dos discursos e ambientação durante a concorrida posse. A partir do empossado que, em breve discurso, como lhe é peculiar, fez uso de linguajar inteligível pelos mortais brasileiros ao usar termos como “firulas, floreios e rapapés”, para desconforto, talvez, de seu vice-presidente no STF, ministro Revisor e colega na Ação Penal 470. Foi direto em várias questões sensíveis como a de “pedir aos magistrados de primeira instância que não recorram aos laços políticos para subir na carreira”. Admirável, dadas as circunstâncias!

Joaquim Benedito Barbosa Gomes, agora presidente da mais alta Corte do país, é um exemplo de cidadão que oriundo de família humilde soube batalhar em sua vida para – sem usufruir de benefícios como os de cotas raciais para negros que visam reserva de vagas em instituições publicas ou privadas – estudar desde o ensino fundamental em escolas publicas seguindo até a Universidade Federal, em Brasília, e se formar em Direito.

A biografia deste brasileiro ilustre deveria ser por todos conhecida, inclusive apresentada nas escolas como exemplo de pertinácia, dedicação, honradez e patriotismo. Oportuno lembrar passagens de sua belíssima história como a de ter feito mestrado e doutorado na Universidade de Paris, lecionado na Faculdade de Direito da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, ter sido Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, servindo na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia. É fluente em inglês, francês, espanhol e alemão, além de tocar violino. Currículo para brasileiro ou estrangeiro nenhum botar defeito. Orgulho para este país.

Apesar da limitação física que certamente transforma sua vida diária em um pequeno calvário, não deixa de enfrentar a rotina de seu estafante trabalho com admirável galhardia. Ganhando notoriedade como Relator do Processo conhecido como Mensalão, enfrentando momentos de duros embates em nome da Justiça, mesmo revelando seu temperamento forte, este mineiro de Paracatu já entrou para a História merecidamente.

Rendo aqui, orgulhosamente, minhas homenagens “sem firula, floreio e rapapé” a este benedito brasileiro: Sua Excelência Joaquim Benedito Barbosa Gomes.