Estou cansado de ser bombardeado com apelos para comprar isso e aquilo, desfrutar de vantagens inimagináveis e imperdíveis, induzido a adquirir o que não preciso. A sensação que me vem dominando é a de estar sendo encurralado, sem qualquer proteção ou abrigo, exposto e indefeso. Clima que contrasta com outra realidade, de miséria e fome em boa parte do mundo, guerras e atrocidades contra inocentes de todas as idades, mas que nos levam a olhar para o outro lado tão logo acabamos de tomar conhecimento de sua existência. Os mais realistas que eu, heterodoxos, talvez, encaram esta realidade com a naturalidade de que a vida é assim e ponto final.

Como não dispomos mais de tempo para digerir notícias, eis que elas nos chegam com o avançar dos minutos em tempo real, sobre todos os assuntos e de todas as partes do mundo, o entulho informativo é, também, real. Assuntos e temas relevantes, merecedores de análise e discussão abrangente, estão sendo negligenciados ficando reservados a pequenos grupos, minoria dentro de um contexto maior. Prioritários são os assassinatos com impacto na opinião pública – devidamente estimulados pela imprensa –, catástrofes ambientais, bandalheiras políticas desveladas e obscuras.

Encontro dificuldade para conseguir ler noticias e artigos inteligentes, escritos por gente não menos, são tantos os textos apelatórios e imagens do mesmo naipe ao seu redor. Fazendo exame de consciência tento concluir que o equivocado sou eu, impermeável quem sabe, a viver neste mundo do “vai ser bom, não foi?”. Afinal, temos o livre arbítrio das escolhas o que não impede nossa exposição obrigatória ao torvelinho de tanto joio a separar do bom trigo. Metáfora à parte, estamos prisioneiros de um sistema cruel, refém que somos da psicologia das massas.

Como um nômade imerso na conturbação planetária, tento desviar-me dos projéteis enviados pelos comerciais de televisão, disparados a cada dez minutos, de páginas e mais páginas com publicidade inseridas nas revistas, sem esquecer dos “tags” e “banners” obstruindo textos que se pretenda ler também nos portais da internet. Mas como guerra é guerra, parece que alguns de nós, como eu e sei lá quantos mais, estamos do lado que tem a bandeira branca às mãos.

A se consumar a profecia Maia de que estaremos todos indo desta para melhor no próximo dia 21, as agruras de muitos estarão no fim. Para os que, como este que vos escreve e acreditam que um dia, mas não já, a festa vai acabar, a realidade vai continuar a mesma. Por enquanto…

Ou até, quem sabe, que o planeta venha a dar uma voltinha a mais em sua rotação e chacoalhar nossos neurônios.

Ave!