E como o mundo não acabou…

O calendário nos coloca diante de mais um Natal e ano que se inicia. São muitos os que fazem votos de revisão em suas vidas ao espoucar dos fogos de artifício para comemorar o novo dando adeus ao velho.

Surgem novas esperanças, novas decisões – até mesmo antigas, não cumpridas, mas agora renovadas – e gotas de otimismo que respingam na expectativa de orvalhar o ano inteiro. Brotam do nada, em meio à contagiante atmosfera do Papai Noel e “Happy New Year”, do Feliz Ano Novo.

Nossa natureza nos leva a olhar para frente, vislumbrando a esperança do melhor, apesar de conscientes de que o mar nem sempre será de almirante nem o céu de brigadeiro. Mas como navegar é preciso, a ponta de otimismo prevalece para os mais resistentes às intempéries.

E a vida continua, dando oportunidade a todos de apreciar os bons momentos vividos, sempre de olho no que lhes reserva o futuro, aguardando com ansiedade o “depois”. Valorizar ao máximo e desfrutar das benesses presentes em nossa vida – independentemente de conseguidas por esforço próprio ou simplesmente caídas do céu – não é característica da maioria das pessoas. Imperfeito e ambicioso, o ser humano tenta acumular sempre mais, nem sempre usufruindo de tudo que já possui, inclusive bens imateriais. O excesso do acúmulo, que dele nos torna escravos, não ameniza nossa existência. Muito pelo contrário.

Vivemos tempos difíceis, governados por débeis condições econômicas globais, forçados, às vezes, a reformular anseios pessoais e necessidades básicas. Valores financeiros são considerados parâmetros, referências determinantes para uma vida bem sucedida. Meia verdade, eis que não se trata de um cheque ao portador que garanta equilíbrio, felicidade e realização durante nossa estadia por aqui.

Quero crer que as circunstâncias que se nos apresentam frente à deterioração econômica e conturbações políticas mundo afora são, sobretudo, providenciais. Momento de repensarmos e revermos modelos impostos por um sistema que já se provou inoperante, cujo saldo é, sabidamente devedor.

Não creio que exista época mais propícia que esta para reflexão e, quem sabe, revisão de conceitos arraigados. A meu ver, priorizar amizades, convivência familiar, conversas ao vivo olhando no olho do outro, ouvindo para aprender, optando pelo simples, pode vir a ser um bom início de ano. Sem esquecer o contato com a natureza e animais – excelentes professores que são – para conhecer-se um pouco melhor.

Boas festas a todos de sua família!