Há muito a contar sobre a saga dos índios norte-americanos, inclusive suas perdas devido à construção da ferrovia ligando o leste ao oeste do país em tempos idos. Se tiver interesse procure se informar sobre o antigo Território Indigena que cobria a superfície de quatro estados da União e que acabou sendo abolido e trocado por pequenas e esparsas reservas indígenas.

A história das tribos que ocupavam territórios do hoje Estados Unidos da América é dramática e, possivelmente, mais conhecida que aquela das nossas (tribos) graças ao cinema americano. Não menos dramática é a história do desenvolvimento daquele país durante o século XIX. Foram compradas naquele período, a preço irrisório, da França, o estado da Louisiana; da Espanha, em condições idênticas, o estado da Flórida; do Reino Unido o estado do Oregon e o Alasca comprado à Rússia em 1867. A expansão continuou sobre terras mexicanas só que, então, pela força das armas conquistados os hoje estados da Califórnia, Novo México, Texas e Arizona. E a título de curiosidade apenas, em seu expansionismo, os Estados Unidos em 1946 ofereceram à Dinamarca 100 milhões de dólares para comprar a Groenlândia. Sem negócio, cara-pálida!

Volta-me à memória a época em que o cinema lá do hemisfério norte usava e abusava de contar histórias – em versão única, claro – sobre os índios “rebeldes” sendo combatidos pela não menos famosa 7ª Cavalaria do polêmico General Custer e suas tropas. Assunto para os maiores de 50 anos

Voltando ao Chefe “Touro Sentado”, sobre quem escrevi há poucos dias, algumas de suas frases ficaram gravadas na memória de muitos: “Quando eu era criança os Sioux eram donos do mundo. O sol nascia e morria em suas terras; enviavam dez mil homens para a guerra. Onde estão os guerreiros hoje? Quem os massacrou? Onde estão as nossas terras? Quem são seus proprietários?”

E ainda: ”Se eu concordar em ceder qualquer parte de nossa terra para o homem branco sentir-me-ei culpado por retirar das bocas de nossas crianças o alimento de que necessitam. Não poderia ser tão malvado”.

E não surpreende, portanto, que em pleno século XXI permaneçam as tentativas de “colonização” e implantação de hábitos e costumes que, a exemplo dos tempos do general Custer, levam países a insistir na conquista – seja militar, econômica e até mesmo territorial – de terras que não lhes pertencem. A implantação do domínio cultural não é menos agressiva que aquela imposta por vias outras que não o diálogo e entendimento entre os povos.

Assim, fica a pergunta simples: até quando?