Leio, pela imprensa, que um catarinense de 90 anos trabalha para a mesma empresa há 75. Recorde brasileiro de permanência como funcionário de uma mesma firma. Uma admirável história que não se conta nem se escreve mais. Mas que pode ser encontrada se pesquisar no Google pelo nome dele: Walter Orthmann. Vale a pena conferir.

Houve uma época em que havia fidelidade entre funcionários e empresas e vice-versa. Tempos idos. A profissão, o trabalho realizado, a consideração recebida e devotada, eram ingredientes que tornavam ambas as partes elementos de uma mesma família. Uma época em que o dinheiro, como sempre, era importante sim, mas seu valor era superado por outros (valores) que foram se perdendo com o passar dos anos. Respeito e consideração eram alguns deles.

A tecnologia, a feroz competitividade por empresas e pessoas, a sobrevivência de ambas – medidas apenas pelos resultados de balanços e balancetes – desfiguraram, tanto umas como outras, eis que ambas passaram a ser avaliadas exclusivamente por números no mundo dos negócios.

Empregados fiéis orgulhavam-se de pertencer à empresa, ao comércio, ou ao banco. Como os professores, com fortes vínculos não apenas com as escolas, mas com seus alunos também. Vínculos muitos, mantidos por anos a fio estreitando laços que representavam fases importantes das suas vidas.

Não é fácil o relacionamento entre empresas e funcionários de qualquer escalão. Seus interesses são pouco coincidentes e aquela noção antes existente do “vestir a camisa” pouco acontece hoje em dia. Se é que ainda acontece. Ambos querem ganhar mais dinheiro – o que é perfeitamente legítimo – mas, mas, quem pode mais pode menos. Redução de custos, fusões, otimização e outros adjetivos bem qualificativos, além da idade, outrora considerada como fator importante para as empresas pela experiência adquirida por aqueles que a serviram com dedicação por tanto tempo, passaram a ser o fio da navalha. Talvez por isso o empreendedorismo venha crescendo tanto.

Sem comprometimento por qualquer das partes, ambos zelam pelos seus interesses econômico-financeiros sem nenhum pudor. O cifrão passou a ser a referência faz tempo. O assalariado vende seu conhecimento e o negócio o compra a preço de mercado. Ponto final.

Absoluta verdade que empresas são constituídas para lucrar, excetuando-se as filantrópicas. Vivem e sobrevivem à custa de seus talentos humanos os quais deveriam ser vistos como seres que trabalham porque precisam, possuem família e anseios pessoais, muitos dos quais o dinheiro não compra.

Walter Orthmann e sua empresa ensinam!