Muito tem se escrito, comentado, divulgado sobre o acontecimento catastrófico ocorrido no sul do país, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O incêndio, provocado por inúmeras falhas nos procedimentos de segurança, construção e fiscalização é mais um, de graves consequências, a ocorrer em nosso país.

Vivendo o momento de grande consternação, com famílias enlutadas pelas perdas e outras tantas acompanhando a recuperação de familiares e amigos internados em hospitais, as providências burocráticas estão em curso na tentativa de identificar culpados.

Especialistas nos assuntos que envolvem acidentes dessa natureza são consultados pela mídia, autoridades municipais, federais e órgãos de classe se manifestam a todo instante, assiste-se a um jogo de empurra-empurra de responsabilidades.

Todos, sem exceção, conhecem as soluções e providências que deveriam ter sido tomadas antecipadamente, medidas que teriam evitado a tragédia no sul. Não é novidade que muitos acidentes, de todas as naturezas, poderiam ter sido evitados se o fator humano não estivesse presente. A maioria, talvez. Então fica a pergunta: o que falta às pessoas para que adquiram consciência sobre seus atos responsavelmente?

Brasileiros não são reconhecidos como sendo dos mais sérios e responsáveis em assuntos de segurança, quaisquer que sejam eles. O trânsito, com mais de 40 mil mortos no ano passado, é uma referência. Despreparo de atendentes de enfermagem em hospitais causando danos irreversíveis – quando não letais – em pacientes não são incomuns. Policiais no enfrentamento da criminalidade crescente não dispõem de treinamento e reciclagem suficientes. Fiscalização por parte de órgãos públicos são deficientes quando não venais.

Os responsáveis pelo cumprimento das leis, com exceções, burocratizados no exercício de suas funções, são um atentado contra a segurança da população. Comenta-se, e com razão a meu ver, que o problema brasileiro é cultural. Se assim é, a escola, ao prover mais informação nas disciplinas encontra dificuldades para dar aos jovens formação de cidadania para que possam, quando adultos, atuar com responsabilidade no exercício de suas atividades civis e profissionais.

Somos pródigos em leis, normas e afins, mas levianos na sua execução e cumprimento! A impunidade por crimes cometidos, principalmente pelos que podem mais, leva a sociedade ao afrouxamento da seriedade e da responsabilidade.

O triste e lamentável resultado desse episódio pode, no entanto, vir a ser um ensinamento de que cabe, prioritariamente, a cada um de nós fiscalizar tudo que possa afetar nossa segurança pessoal e agir de acordo com o exercício de nosso direito como cidadãos. O que não exime, em absoluto, a responsabilidade das autoridades que devem ser cobradas por sua ineficiência ou omissão quando for o caso.

Nossas condolências aos familiares das vítimas.