Não adianta chorar pelo leite derramado!

A política brasileira se desnudou de vez. O palavrório ilusório daquela que condena mal feitos, mas compactua com verdadeiros arrombamentos da ética afrontando até o órgão jurídico máximo da nação, deixa este país menor.

Afronta na medida em que se alia, ou faz aliar, personagens sob suspeita insuspeita para ocupar os cargos mais altos da República, depois do seu. Desta vez, em uma única jogada, coloca os destinos da nação nas mãos de julgados e condenados até pela opinião pública os quais, com sua benção, buscam apenas as benesses de sua caneta – escondidos vergonhosamente atrás do voto secreto no Senado Federal e Câmara dos Deputados.

Blindados, escondendo sentimentos verdadeiros, deputados e senadores defendem interesses corporativistas em detrimento da ética que deveriam respeitar. Palavra rasurada em seus dicionários. Rendidos às barganhas com o poder executivo, votando a seu favor em projetos que ferem suas convicções ideológicas, visam defender apenas a liberação de verbas e nomeações para cargos que lhes rendam tudo que se possa imaginar.

A forma de governo que tem por base a moral chama-se Etocracia. Palavra desconhecida pela maioria dos brasileiros e, certamente, por todos aqueles que podem se dar ao luxo de aterrissar em Brasília às terças feiras e decolar às quintas, insultando os trabalhadores que contribuem para o pagamento de seus vencimentos e mordomias sem fim.

A imprensa tem procurado exercer seu papel de informar, com correção, os desvios comportamentais de tantos “fichas sujas e ditas limpas” escalados para ocupar cargos relevantes no governo desvelando a triste realidade da política em nosso país. Fatos revelados, provados, comprovados, mas relegados ao esquecimento.

Neste país que já foi collorido, sarnento, drenado por valeriodutos, são colocadas em cheque, desafiadas até, instituições como a mais alta Corte, o Supremo Tribunal Federal. Tendo condenado parlamentares para ver o sol quadrado, permanecem estes no parlamento, sob a tutela daquela assembleia legislativa, aguardando o término da novela por eles protagonizada. Neste momento, a presidência daquela Casa – eleita graças ao voto secreto – afirma pela imprensa que vai respeitar a decisão do STJ. Mas tem gente que, absurdamente, torce o nariz. É pagar para ver.

E para encerrar, os de nariz torcido visando manter o embate passaram a reivindicar a presidência – pasme – do Conselho de Ética (?) da Câmara na pretensão de tentar salvar os mandatos dos malfeitores julgados e condenados. Picada sem fim!

Quem viver verá.