Houve um tempo, faz tempo é verdade, que os jovens cresciam, atingiam a adolescência, cursavam a faculdade muitos, namoravam, casavam e tinham filhos vivendo sempre no mesmo lugar. Sua exposição ao mundo além-fronteiras, de sua cidade ou estado, eram esporádicas. Tempos idos.

O desenvolvimento tecnológico escancarou as portas das oportunidades para os jovens, abrindo-lhes horizontes ao vivo e a cores antes apenas conhecidos nos filmes, livros e revistas. Claro está que essa era a verdade apenas para a massa da população que não incluía os nascidos em berço de ouro, platina ou mesmo de prata.

As comunicações – atingindo níveis jamais imaginados poucas décadas atrás – demoliram as barreiras que impediam o conhecimento e aproximação com outras culturas, povos, línguas, abrindo mentes, expondo as vísceras de outras realidades. Era a imaginação antes trabalhada por imagens e palavras cedendo lugar ao sentir com os cinco sentidos. Realidades diferentes, melhores algumas, piores outras, se comparadas com as conhecidas que ficaram temporariamente para trás.

O que era caro passou a ser accessível, o cordão umbilical arraigado na mesmice rompido, o desprendimento possível. Tornou-se viável uma (r)evolução nos costumes, o respirar da pseudo-liberdade de estar andando com suas próprias pernas e pensando com sua própria cabeça, cursando a escola desconhecida de uma vida com outros cheiros, paladares e sons singulares. Deixou de ser sonho o conviver com a incerteza do certo e do errado, aprendendo passo a passo os meandros de outras culturas, corrigindo conceitos e preconceitos, até mesmo sem sair de seu próprio país.

Nossa aldeia global vem recebendo de braços abertos os que se dispõem a partilhar, aprender, divulgar, ensinar, enfrentar desafios com a cara e com a coragem própria dos jovens que tudo podem e tudo querem. Sem compromissos definidos, sua visão otimista, ainda não afetada pela miopia dos anos, descortina horizontes até então embaçados pela ignorância.

Uma viagem vale por mil preleções. Rejuvenesce o espírito dos menos jovens, levanta a cancela das limitações impostas pelo cotidiano de todos nós, desbrava fronteiras, deixa gravada recordações que o tempo não apaga.

Mas nem sempre é preciso fazer as malas. Ter um olhar renovado e atento para o que sempre esteve aqui e acolá, alteradas pelas mutações naturais do tempo, pode nos levar à uma viagem de volta às nossas descobertas primeiras. As folhas cedidas pelas árvores no outono estarão sempre de volta na primavera. Há um tempo para plantar e outro para colher.

Simples assim. Basta manter a jovialidade.