E Jorge Mario Bergoglio, o simpático jesuíta argentino, deu início ao seu pontificado como papa eleito no último conclave, já entronizado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Adotando o nome de Francisco, o ex-arcebispo de Buenos Aires terá pela frente um longo e árduo caminho. Muito já se falou e escreveu sobre isto.

Ser líder de mais de mais 1,2 bilhão daqueles que professam a fé católica, dezessete por cento da população mundial, não é tarefa diminuta. Com cerca de 40% dos devotos residindo na América Latina, sua presença marcante está no Brasil, maior país católico do mundo congregando 10% de todos os fiéis.

O crescimento de outras religiões – em redutos antes intocados dos católicos – vem acendendo a luz vermelha daquela que se constituiu como instituição apenas no Império Romano: a Igreja Católica Apostólica Romana. Os problemas sobejamente conhecidos por todos, dentro e fora do Vaticano, são desafios hercúleos que o Papa Francisco terá de enfrentar.

A tecnologia da informação permitiu que as fendas existentes dentro da Igreja se tornassem públicas desiludindo muitos dos adeptos dessa religião cristã. Não praticar em sua plenitude o que se prega, em um mundo com transparência absoluta sobre tudo que se faz e se comenta em qualquer ponto do planeta, é deixar a porta aberta para o desvelamento de ações impróprias a qualquer pregação.

São idos os tempos em que o povo tomava conhecimento de fatos e ocorrências a partir dos púlpitos das igrejas. As informações, sempre sujeitas a interpretações de seus sacerdotes e por eles divulgadas concedia-lhes um poder de quase onipotência. O mundo foi mudando, as culturas se aproximando, as informações se socializando, o desconhecido revelado. Segredos guardados por séculos vieram a público – ainda poucos, é verdade – mas suficientes para dar uma nova visão sobre a Igreja de Francisco.

A maioria dos fiéis às várias religiões são exatamente isso: fiéis a elas. Os que professam a mesma doutrina religiosa, qualquer que seja, o fazem por convicção – não importando as eventuais incongruências provocadas aqui e ali por seus discípulos. Como seres humanos imperfeitos em sua essência, seus comportamentos duvidosos são relevados na expectativa permanente de correção de desvios. Afinal, ovelhas negras são encontradas em quaisquer rebanhos; por que não nos de Deus?

Francisco, o “jesuíta franciscano”, através de suas manifestações iniciais parece ser um papa diferenciado, iluminado, pronto a exercer seu pontificado voltado às origens da sua Igreja. A opulência e o fausto dominantes não o atraem, tornando-o um servo de Cristo como prenunciado séculos atrás.

Papa Francisco: “Dominus vobiscum”.