O mundo está em crise. Ora, o mundo sempre esteve em crise, mas ainda nos surpreendemos a cada novo acontecimento catastrófico. Crises políticas, econômicas, sociais, regionais ou internacionais sempre fizeram parte do cotidiano dos povos em qualquer lugar do planeta.

Enquanto bípedes dotados de inteligência – às vezes não muita, é verdade – existirem nesta Terra que dizem ser azul, conflitos de toda ordem serão notícia diariamente. Aliás, nem sei por que esse corpo celeste sem luz própria que gira em torno do Sol chama-se Terra. Afinal, 71% de sua superfície são cobertas por água e apenas 29% são continentes e ilhas. Não deixa de ser curioso.

Geografia a parte, o entendimento entre humanos sempre foi difícil, complicado. Somos seres diferentes, com interesses distintos que apenas se aproximam quando a sinergia funciona em proveito próprio, ou seja, quando 1+1=3. E mesmo assim por tempo determinado até que se exaurem as razões da convivência harmoniosa.

Somos egoístas por natureza ou, quem sabe, fomos aprendendo e induzidos a sê-lo ao longo da jornada. Ao nascer somos motivo de alegria àqueles que nos cercam. Não há quem resista ao sorriso de uma criança, volte a ser um pouco criança, dispa-se – ainda que por momentos – da couraça que nos faz parecer o que não somos. Em que momento passamos a ser entortados, destituídos de nossa natureza inocente, focados com lentes distorcidas? Tema a ponderar!

Crescemos guiados pelas mãos daqueles já deformados, assimilando até de forma obrigatória conceitos e valores impostos, buscando aceitação em uma sociedade que se comporta de acordo com sua geografia. Sim, porque os conceitos de liberdade, educação, moral, princípios, ética não são unos. Vivemos em um mesmo solo, separados por terras e mares desde tempos imemoriais que nos tornaram estranhos uns aos outros, suspeitosos e egocêntricos.

Como em um passe de mágica, o mundo poderia ser governado por crianças as quais, com sua candura, sem qualquer programação lógica, mas com espontaneidade no pensar e no agir, levariam a bom termo projetos para uma vida equilibrada, socialmente mais justa para todos. A socialização espontânea desses pequenos seres é surpreendente, mas apenas enquanto pequenos e antes de serem submetidos às regras que o mundo lhes impõe.

Mas quem sabe dentro de algumas centenas de anos, dezenas talvez, com a tecnologia aproximando culturas, tornando-as visíveis e mais compreensíveis possamos, assim como as crianças, encontrar o entendimento fácil – apesar das birras de uns e outros – tornando nossa existência uma verdadeira razão de viver.

Quem sabe?