O homem não nasce falando. Aprende a falar e a escrever uma ou mais línguas para se comunicar, entender e se fazer entender, transmitir um pensamento. Segundo o cientista Russel Gray, da Universidade de Auckland, Nova Zelândia: “A diversidade das línguas do mundo é incrível. Há cerca de sete mil línguas faladas hoje em dia, algumas com apenas uma dúzia de sons contrastivos, outros com mais de cem, alguns com padrões complexos de formação de palavras, outros apenas com simples palavras, alguns com o verbo no início da frase, outros no meio e no final”.

Uma verdadeira babel!

São poucas as pessoas que conseguem transmitir com exatidão o pensamento falado ou escrito de uma língua para outra. Até mesmo na própria língua-mãe. A interpretação de textos, sejam eles antigos ou modernos, é fundamental para a formação de ideias, juízos e conceitos, sabemos todos. Daí as distorções encontradas em traduções e versões que geram polêmicas quando defrontados uns perante outros, buscando entender o verdadeiro sentido do significado de palavras proferidas ou escritas.

Este pequeno introito serve para nos lembrar das dificuldades enfrentadas na comunicação entre pessoas e povos. Fôssemos todos mudos o número de desentendimentos entre os que se manifestam pela palavra falada seria possivelmente menor. Não é menos verdade que a escrita (palavra) pode, também, causar danos às vezes irreversíveis.

Falar é tão simples quanto respirar, tão natural, que dificilmente nos damos conta das agressões verbais cometidas, ainda que inconscientemente. Magoamos pessoas, deixamos nelas marcas indeléveis, não raro com boas intenções. Sem qualquer esforço, proferimos palavras antes mesmo que o pensamento esteja pronto para liberá-las; a famosa frase “falei sem pensar” é testemunha de dissabores causados pela afoiteza. Dissabores que podem não ter volta. A sabedoria chinesa nos ensina através de um provérbio que “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

A contrapartida são frases ouvidas ao longo da vida que ecoam dentro de nós por todo o sempre. Lembram épocas, momentos inesquecíveis, muitas vezes totalmente ignorados por quem as pronunciou. Somos extremamente sensíveis ao que ouvimos, talvez até mais do que ao que vemos.

Não trago nenhuma novidade nestas ponderações, mas quero crer que o simples fato de pensar sobre o assunto durante o tempo dessa leitura pode vir a, quem sabe, ajudá-lo no futuro.

Dependendo de sua idade, esse papo não é furado…