A rotina faz parte de nossas vidas desde o acordar até a hora de colocar a cabeça de volta no travesseiro à noite. Imersos em obrigações de toda ordem, encontramos dificuldade em alterar a rotina do dia a dia por razões várias. Correndo sempre contra o relógio, despendendo energia para enfrentar o trânsito intransitável, suportando o pouco respeito dos outros que costumeiramente se atrasam para compromissos assumidos – alô alô, meus amigos médicos: perdoem-me, mas já está na hora de acertarmos os ponteiros… -, acabamos presos aos caprichos do vaivém diário. Arre!

Não nascemos para viver como máquinas programadas para obedecer a rotinas rígidas. Aferrados a condutas arraigadas que engessam, rotinas pouco maleáveis embaçam a oportunidade de descobrirmos o novo. Descobertas que, sem qualquer prejuízo para atingirmos os fins a que nos propomos, permitem um olhar diferente e prazeroso de tudo que nos cerca. A velha e conhecida história do olhar sem enxergar…

É impossível vivermos sem rotinas. Entretanto, a exemplo das composições musicais, quando arranjos são criados para torná-las mais atraentes e agradáveis aos ouvidos, alternativas para compormos a programação do nosso cotidiano são, também, viáveis e principalmente desejáveis.

Começando pela vida em casa, a maioria das pessoas segue uma rotina rotineira (perdoe-me pelo pleonasmo), desde a forma de escovar os dentes, se vestir, sentar-se à mesa sempre no mesmo lugar, assistir aos mesmos programas de televisão diariamente, se acomodar na poltrona que já se tornou cativa. Daí para a cama sua rotina é a mesma faz anos, admita. Ou seja, a rotina dentro de casa do acordar ao deitar sofre pouca ou nenhuma variação dia após dia. Fora dela (da casa), o roteiro para o trabalho é, invariavelmente, o mesmo e fora dele para almoçar com ou sem happy hour mais tarde também. E assim, no meio da semana, as pessoas esperam ansiosas pelo seu fim para continuar a fazer as mesmas coisas, apenas com ajustes aqui e ali como nas peças musicais. Haja!!!

Estou simplificando, eis que o assunto daria para escrever um livro. Mas minha curiosidade é saber até onde as pessoas se disporiam a, por exemplo, usarem um transporte alternativo para ir trabalhar, não acessar a internet e a televisão duas vezes por semana aproveitando a oportunidade para conversar com o marido, a mulher, namorado ou filhos, trocar de lugar à mesa, até mesmo trocar de lugar na cama (entenda-me!).

A mesmice do dia a dia, impregnada por hábitos enraizados, torna a vida de muitos uma monotonia só. Espero que a sua seja diferente. Olé!