Uma semana recheada de acontecimentos de peso: início da Copa das Confederações, vaias à presidente da República, espetaculares manifestações populares pelo Brasil afora, truculência da polícia, vandalismo de uns poucos. Verdade que excessos existiram, mas nessas circunstâncias ­é difícil esperar-se por comportamentos angelicais de quem quer seja, Afinal, estamos falando de pessoas de carne e osso com sentimentos vários e personalidades distintas. Não há trigo sem joio.

Como em um abscesso supurado, os atos públicos realizados extravasam um sentimento popular represado, sentido por não poucos, mas externado principalmente por jovens. A megalomania dos políticos assentados em seus gabinetes governamentais, megalomania de poder, casuísta, corporativista levou ao mais absoluto descrédito a “coisa pública”. Subjugar a população com questionáveis bolsas diversas, política econômica incompatível com as reais necessidades do país, parceria com empresários em projetos de retorno duvidoso como a construção e reforma de estádios de futebol – alguns elefantes brancos, por certo – com financiamentos de caixa preta pelo governo, é subestimar a inteligência e desrespeitar a dignidade do povo.

As manobras contábeis engendradas nos recônditos de Brasília – como as realizadas ao final do ano passado no fechamento das contas publicas de 2012 mediante acintosa maquiagem – não permitirão que a população venha a conhecer, jamais, a realidade dos bilhões dispendidos pelo governo com as obras dos colossos erigidos para a prática do futebol. Bilhões ausentes nos orçamentos para a educação de qualidade, saúde com S e segurança sem exceção.

No Império Romano, em tempos de crise, as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas: a política do pão e circo.  Por aqui, chegamos ao tempo das arenas elitizadas. Representados por um governo imperial, legislados por um congresso descompromissado com a lisura, mas com direito a recesso parlamentar de 50 dias por ano, acrescidos de outros 208 em que não aparecem para “trabalhar”. Verdadeiros sanguessugas da nação.

O país com 20% de analfabetos funcionais entre 15 a 49 anos, que investe apenas 8.7% de impostos coletados com a saúde, possui transporte público mais caro que o de diversos países da América Latina, está longe da propaganda oficial.

Fico com a forte impressão de que nosso movimento verde-amarelo se destaca por trazer à tona a insatisfação popular, mas por razões e formas distintas daqueles povos  que estão a viver transformações profundas. Por aqui, foram mais de 250 mil os manifestantes durante uma única tarde-noite. Memorável!

O recado começa a ser dado.