Acuados pelas manifestações populares, políticos baixaram a crista e mudaram seus discursos – inclua-se a senhora presidente no pacote -, rapidamente alardeando soluções para insolúveis problemas adormecidos no baú; ou, se preferir, nas gavetas dos Sarneys, Renans e antecessores sentados na cadeira de espalda alta do trono que lhes concede o privilégio de ocupar o terceiro posto na hierarquia imperial para dirigir os destinos deste país. O atual presidente do Senado – já se esqueceram muitos – ao ocupar o cargo há poucos anos, teve que sair pela porta dos fundos por comportamento desairoso. Em realidade, comportamento que em nada difere – a não ser no conteúdo – daqueles que o antecederam desde sempre.

A senhora presidente, nos primeiros dias que sucederam as manifestações populares, segundo a imprensa, reuniu-se em SP com ex-presidente da República e seu marqueteiro oficial para traçar a estratégia de acalmar o clamor popular, de olho na reeleição do ano que vem. Nenhum de seus 39 ministros, isto mesmo, 39, esteve presente  levando-nos a crer que o governo prescinde de seus auxiliares para agir em momentos críticos, mas deles não abre mão para articulações dentro do Congresso. Congresso que, diga-se de passagem, deixou de legislar para aprovar medidas provisórias e leis geradas no seio da casa imperial; redefinindo, assim, suas atribuições e agindo como adjunto do Palácio mediante observância estrita do “é dando que se recebe”!

Esta semana o Executivo – ou melhor, a Executiva – após reunião no Palácio com súditos que comungam pela mesma cartilha uns, e outros nem tanto, instituiu pactos de ajuda mútua os quais, como em passe de mágica, deverão resolver todos os problemas do país, centenários e impensados até duas semanas atrás: submeter à população questionável plebiscito para ungir a reforma política, rigor com a responsabilidade fiscal e controle da inflação, aplicação dos royalties da exploração do “pré-sal” na educação e saúde, transporte gratuito para estudantes, tudo acrescido de extensa pauta proposta pelo senador das Alagoas.

Calcule-se o impacto (perdoe-me pelo trocadilho) dessas pretensões junto aos caixas do tesouro, estados e municípios os quais não se encontram em alta como o dólar, mas sim em baixa como a bolsa de valores de SP no início da semana.

Assim, com tantas desonerações de iniciativa do Palácio, cancelamento de aumentos dos transportes terrestres e pedágios Brasil afora, inflação em alta e indefinições de percurso, como ficarão os cofres dos governos sem a coleta de impostos já orçados para honrar compromissos assumidos e comprometidos?

Haja cartola para abrigar tantos coelhos.