Encerrada a safra de futebol orquestrada pela FIFA, com jogos realizados até mesmo debaixo de sol nordestino, inclemente, às 13 horas, o momento se volta para a realidade do cotidiano brasileiro. Do evento, classificado como esportivo e regido pelas conhecidas imposições da poderosa, fica a alegria do povo pela goleada da seleção verde-amarela em cima da campeã mundial, Espanha. Com direito ao belo espetáculo proporcionado por mais de 70 mil torcedores cantando o hino nacional, mesmo depois de encerrado o som oficial do estádio. Enquanto isso, do lado de fora do Maracanã, a população consciente de que toda festa tem seu custo e que o da realização da Copa das Confederações havia extrapolado qualquer estimativa oficial, manifestava clara sua rejeição e indignação pelos questionáveis investimentos feitos pelo governo.

A chamada “Voz das Ruas” tem a exata noção das mazelas enfrentadas por tantos brasileiros em todo o país e não compactua com os suspeitosos e elevados gastos públicos para a realização de Copas e Olimpíada. Jamais, creio eu, poderiam governo federal e políticos imaginar uma contestação da magnitude ora presenciada. Graças aos jovens que não se submetem às matreirices e ardis armados por marqueteiros palacianos e afins, logo acompanhados por cidadãos conscientes de todas as idades e classes sociais, o país se vê diante de rara oportunidade para transformá-lo em uma potência econômica, socialmente justo, com educação e saúde no melhor padrão FIFA.

Apesar de serem múltiplas as reivindicações, ainda persistem setores aninhados nos estratos políticos resistindo à realidade dos fatos; como em Belo Horizonte, onde a Câmara dos Vereadores vetou proposta de transparência das planilhas do sistema de transporte coletivo. Planilhas fechadas em verdadeiras caixas pretas que fazem a alegria dos edis. Maracutaia explicita e não única.

No resto do país a transparência na política brasileira também permanece opaca. São centenas os exemplos. No Planalto, paira a sombra sobre a remuneração de servidores ativos e aposentados da Câmara dos Deputados e do Senado: remuneração revelada, mas vergonhosamente omissa em nomes. Um milhar de funcionários das duas casas ganha acima de R$ 26 mil por mês e – em um caso marajá – há quem receba mais de R$ 33 mil líquidos todos os meses. Afronta a trabalhadores e aposentados desprezados pelos poderes públicos que se perpetuam dentro um sistema corporativista anacrônico.

Os porões das instituições politicas estão fétidos e a merecer faxina urgente. Galhardamente, os que estão nas ruas possuem vassouras, água e sabão da melhor qualidade. O Brasil – esperançoso e honesto – conta com eles!