Domingo, 14 de julho: enquanto os franceses se encontravam comemorando a data festiva e nacional da Queda da Bastilha – para os que se recordam das aulas de História, fato ocorrido em 1789 – o assunto veio à baila após almoço na casa de minha cunhada no interior de São Paulo. Bateu a nostalgia (não a relativa a 1789…) e lembranças sobre a influência francesa como língua internacional, na cultura, educação, medicina e moda brasileiras até o fim da segunda guerra mundial. Tempos que não voltariam mais e que passaram a ser, a partir de então, dominados pela batuta dos filhos de Tio Sam em função de seu desenvolvimento expansionista no pós-guerra.

Os assuntos foram sendo desfiados, um a um, passando pelo modo de viver, cinema, festas regadas a “cuba libre” e pares dançando de rostinho colado… segurança, economia, lembranças fartas de um passado remoto. Era um mundo que nos próximos 50 anos iria se transformar mais rapidamente que aqueles vividos em todas as épocas.  Seria aquele um mundo melhor de se viver? Difícil avaliar.

Durante a metade do século passado parece que as pessoas apesar de terem renda menor possuíam melhor qualidade de vida. Sem correria, espichando o dinheiro do mês, reaproveitando roupas e calçados mediante cerzimento de meias e calças furadas, recuperação de punhos e colarinhos de camisas, sapatos recebendo meia sola ou solado inteiro e por ai afora. Talvez os resquícios dos tempos de guerra, impondo racionamentos de toda ordem e exigindo parcimônia nos gastos, tenham levado uma geração a viver – muito bem por sinal – com o pouco e o útil, dando mais importância ao que era realmente importante.

Os hábitos e costumes dos irmãos do hemisfério norte se espalharam rapidamente pelo mundo tão logo terminou o conflito. Fenômeno que atingiu, particularmente, a América Latina, pois a Europa enfrentava o peso da reconstrução. Fomos por aqui, lenta e gradualmente, assimilando o que para o Estados Unidos se tornara vital, visando o reerguimento de sua economia: o consumo crescente de tudo que se possa imaginar visando movimentar suas indústrias e exportação de bens e serviços. O descartável e o desperdício passaram a se constituir em regra, alterando o perfil econômico-social dos que podiam menos.

Época em que o homem da casa era o único provedor, o supérfluo era considerado um luxo, o básico e imprescindível, prioritário. Talvez por tudo isso a sociedade contemporânea tenha que ficar correndo atrás de tudo, para obter tudo, em uma maratona irrefreável contra o tempo.

Encerrando o dia, um chá de jasmim mirando as montanhas. Santé!