Muito se tem escrito e comentado sobre a visita do papa Francisco ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude. A mídia, sempre ávida por notícias, como é seu papel, encontra democraticamente espaços para publicar avaliações e manifestações, até antagônicas, sobre o desenrolar do evento.

“A porta de entrada do povo brasileiro é o coração. E eu peço permissão para bater suavemente à sua porta e poder entrar”. Esta frase, proferida em discurso ao chegar ao Brasil, dá a dimensão da educação, simplicidade, tato diplomático e humildade desse que é o líder espiritual de mais de um bilhão de católicos em todo o mundo. Uma demonstração clara e inequívoca de que os preceitos d´Aquele que levou a palavra ao mundo há mais de dois mil anos estão voltando.

Com marcante presença franciscana, desde o uso de automóvel da classe média circulando em meio à população com vidros abaixados, interagindo em perfeito português com seus interlocutores, vestindo traje “papal” que em absolutamente nada lembra a ostentação de uma igreja que ao longo dos séculos primou pela suntuosidade contrastante com a realidade da maioria dos povos, Sua Santidade transmite seu recado de que novos ventos estão a soprar para os lados da Igreja de Roma.

O ser humano, desde sempre, teve e tem necessidade de acreditar em algo supremo qualquer que seja sua conotação. Respeito e reverência às coisas sagradas não se perderam com o tempo. Tempo e tecnologia que vêm causando transformações impensáveis décadas atrás na forma de se entender a vida, trazendo à tona realidades que não podem mais ser ofuscadas por discursos incontestáveis. Papa Francisco sabe disto.

Respeitar a fé, crença, idolatria ou qualquer dogma diferente do seu é o mínimo que se pode esperar de qualquer cidadão civilizado. Quando mais não seja, por mera educação, comportamento em franca extinção. Lamenta-se que grupos fazendo uso da liberdade de expressão venham achincalhando ritos da igreja católica durante a visita do Sumo Pontífice ao nosso país. Deploráveis atitudes por parte daqueles que não tiveram a oportunidade de aprender que seus direitos terminam onde começam os do próximo.

Manifestar-se sobre os custos do evento é um ato legítimo. Depreciar-se doutrina de livre escolha de seus semelhantes, qualquer que seja ela, é atitude desprezível. No epílogo, mesmo os que não professam a mesma fé – e até mesmo os que tenham fé nenhuma – estarão sendo abençoados, sem distinção, por Jorge Mario Bergoglio, aliás, papa Francisco.

As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância tem se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?(Mahatma Gandhi)